Ao contrário do senso comum, momentos de crise no crédito privado brasileiro oferecem as melhores oportunidades aos investidores. Dados recentes revelam que aplicar em debêntures quando o mercado está sob estresse, mesmo com riscos evidentes, pode proporcionar ganhos quase quatro vezes superiores à média. Entenda por que essa estratégia contraria o fluxo de resgates bilionários dos fundos de crédito e qual o real impacto potencial no bolso de quem mantém sangue frio nesses períodos de turbulência financeira.

O levantamento da gestora JGP mostra que o melhor desempenho no crédito privado ocorre durante cenários conturbados, como os defaults de grandes empresas. Entre 2017 e abril de 2024, investidores que compraram debêntures nos piores momentos, quando os spreads atingiam 1,82% ou mais, conseguiram retornos médios de 4,37% acima do CDI, segundo o índice IDEX. Em contraste, quem investiu em períodos de euforia ou spreads historiamente baixos teve rendimento inferior ao CDI, reforçando que o momento do ciclo é fundamental para estratégias financeiras, como destacam especialistas de negócios.

Autoridades do setor também avaliam a postura conservadora dos investidores frente ao recente aumento de spreads. “Por mais que haja riscos, é melhor entrar no mercado quando os spreads estão altos,” afirmou Alexandre Muller, CIO da JGP Crédito. Apesar do retorno médio das debêntures analisadas desde 2017 ter sido de CDI +1,04%, Muller pondera que esse perfil de ativo deve compor apenas uma parte do portfólio, evitando a busca exclusiva por ganhos, mas sim primando pelo equilíbrio. Segundo ele: “É como uma boa dieta, precisa ser equilibrada.”

Crise abre oportunidades ocultas no crédito privado

A abertura recente dos spreads, que alcançaram a média de 1,9% após eventos como o default da Ambipar e as recuperações judiciais de Raízen e Pão de Açúcar, revela um cenário atípico de oportunidades no crédito privado. A liquidez reduzida e a marcação a mercado impulsionam o potencial de ganhos para quem consegue tomar decisão racional em meio à volatilidade. Dados da JGP confirmam que é justamente nessas situações que se colhem os maiores frutos no médio e longo prazo.

Na prática, enquanto fundos de crédito enfrentaram resgates líquidos de R$ 42 bilhões só entre fevereiro e 10 de abril, investidores dispostos a surfar a onda da adversidade encontraram spreads elevados, com raros precedentes desde 2017. O comportamento recorrente, de retirada em massa durante períodos turbulentos, contrasta com análises especializadas disponíveis no setor de gestão empresarial, que indicam o potencial dessas fases para multiplicação de rentabilidade.

Os impactos imediatos para quem mantém aplicações nesses fundos são ambíguos: há o risco de perdas pela marcação a mercado no curto prazo, mas o potencial de ganho permanece robusto para quem persevera até a normalização dos spreads. Essa dualidade de risco e retorno sublinha a importância de informação qualificada ao tomar decisões de investimento, principalmente para quem atua em estratégia de negócios ou deseja diversificar o portfólio com inteligência e disciplina.

Quando todos vendem, a rentabilidade aparece

Enquanto investidores tradicionais fogem de momentos de volatilidade, os dados mostram que grandes retornos estão associados justamente aos períodos de maior aversão ao risco. Em 2023, após escândalos de Americanas e Light, houve saques superiores a R$ 51 bilhões nos fundos de crédito. Ainda assim, quem permaneceu posicionado nos ativos de risco elevado, após o “sangue nas ruas”, recuperou rapidamente perdas que haviam sido registradas via marcação a mercado.

Historicamente, crises corporativas no Brasil, como as protagonizadas por grandes varejistas e empresas de energia, criaram rupturas temporárias no comportamento dos participantes do mercado. Para quem acompanha tendências de negócios internacionais, não é novidade que fluxos dessas magnitudes indicam reprecificação generalizada. O momento crítico, frequentemente, é onde se situa a janela de entrada mais vantajosa.

Consequências importantes derivam dessa lógica: investidores que compreendem o ciclo e mantêm sangue frio tendem a capturar retornos acima da média, enquanto o investidor médio, que faz movimentos baseados na manada, termina penalizado pelos resgates no pior momento possível. A gestão racional da carteira, portanto, se mostra determinante para o sucesso em ativos de crédito privado, mesmo com o cenário atual adverso.

Abertura dos spreads redefine risco e recompensa

O ajuste recente nos spreads de debêntures fez o rendimento médio do ano ficar 2,6% abaixo do CDI, resultado da forte marcação a mercado por conta dos resgates em massa. Segundo Alexandre Muller, apenas 0,4 ponto percentual desse negativo se deve aos defaults propriamente ditos, mostrando que o risco de crédito é menor que aparenta diante das liquidações antecipadas pelos fundos.

Especialistas do setor, como os da área de empreendedorismo, reforçam que o investidor bem informado pode transformar esse cenário, aparentemente negativo, em oportunidade. Com spreads ainda abertos, os próximos meses prometem ser decisivos na recuperação dos fundos para quem mantiver a exposição ao crédito privado.

Olhando à frente, o cenário sugere que a paciência será recompensada: a história mostra reversões consistentes de perdas quando cessam os movimentos massivos de resgates. Para investidores atentos ao ciclo e à dinâmica dos produtos de renda fixa, o desafio agora é equilibrar o portfólio sem abrir mão do potencial de valorização, sempre atento às lições extraídas da atual crise do crédito privado nacional.