O uso do crédito rotativo, acionado automaticamente quando a fatura do cartão não é paga integralmente, **cresceu para R$ 109,65 bilhões** no primeiro trimestre de 2023. Essa cifra representa um aumento de **9,7%** em relação aos **R$ 99,9 bilhões** registrados no mesmo período de 2025, conforme dados do Banco Central. O impacto dessa modalidade de crédito se reflete diretamente no bolso dos consumidores, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades financeiras, como taxas de juros de **61,5% ao ano** e o crescimento no número de endividados, que atingiu **1.164.387** no Grande ABC.
Nos últimos meses, o cenário econômico brasileiro tem sido desafiador, com a taxa Selic se mantendo elevada para conter a inflação. A concessão de crédito no país sofreu uma ligeira recuperação, com um aumento de **15,1%** em março comparado a fevereiro, totalizando **R$ 350,4 bilhões**. Essa recuperação pode ser atribuindo tanto as estratégias de proteção ao crédito quanto o crescimento das tratativas emergenciais, como o programa Desenrola 2.0, que busca renegociar dívidas de consumidores endividados.
Especialistas em finanças observam com preocupação essa tendência de alta na utilização do crédito rotativo. “O aumento do uso dessa modalidade de crédito indica que muitos brasileiros não estão conseguindo honrar suas dívidas na data correta, o que pode agravar ainda mais a situação de inadimplência”, afirma um economista que prefere permanecer anônimo. As projeções para o próximo trimestre indicam que essa pressão financeira deve continuar, particularmente com o aumento das taxas de juros.
O que é o crédito rotativo e como ele funciona?
O crédito rotativo entra em cena quando o consumidor opta por pagar apenas o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, resultando em uma dívida que é transferida para o próximo mês com a incidência de juros elevados. As taxas médias praticadas nesta modalidade podem ultrapassar os **12% ao mês**, o que significa que um saldo devedor de **R$ 1.000** pode consumir **R$ 120** em juros a cada mês se não houver pagamento integral, elevando rapidamente o total devido. É fundamental que os consumidores se informem a respeito das condições dessa modalidade de crédito, visto que a alta taxa de juros pode levá-los a uma espiral de endividamento.
O cenário também fica mais delicado com a informação de que o Banco Central estabeleceu que o prazo máximo para utilização do crédito rotativo é de 30 dias. Após esse período, as instituições financeiras são obrigadas a apresentar alternativas de crédito menos onerosas. Isso levanta a questão sobre a disposição dos bancos em ajudar seus clientes a reverter sua situação financeira através de opções mais acessíveis.
Nas emoções e desafios do dia a dia, muitos consumidores não se dão conta do impacto que essas condições financeiras podem ter em seu futuro. Com a inflação afetando o custo de vida, muitos estão lutando com orçamentos cada vez mais apertados.
Quais as exigências para acesso ao crédito rotativo?
Para solicitar o crédito rotativo, a principal exigência é possuírem um cartão de crédito ativo. As instituições financeiras analisarão o histórico de crédito do solicitante, levando em conta a pontuação do Serasa e a análise de perfil de risco. Ao mesmo tempo, a alta na inadimplência no Grande ABC sugere que mais pessoas estão sendo negativadas, o que pode restringir o acesso ao crédito. Há registros de famílias enfrentando dívidas acima de **R$ 10 mil** devido aos altos custos da vida e à perda de empregos, especialmente durante o período da pandemia.
No acumulado do ano, observa-se que as condições para novos empréstimos se tornaram mais apertadas à medida que as taxas de juros continuaram a subir, complicando os planos de recuperação financeira de milhões de brasileiros. Vale lembrar que em comparação ao início do último ano, a taxa média de juros caiu em algumas linhas de crédito, mas o crédito rotativo, por outro lado, permanece em patamares elevados, dificultando a recuperação.
Os consumidores que se veem em situações semelhantes, como a enfermeira Luciana Nascimento, enfrentam a dura tarefa de reequilibrar seu orçamento. “Estou anotando tudo em uma planilha para tentar reduzir gastos”, revela ela, indicando que essa prática se torna essencial quando as dívidas começam a se acumular.
O que esperar das novas opções de crédito?
Com o governo federal prestes a lançar a segunda fase do programa Desenrola 2.0, esperançosamente, haverá uma melhora na situação atual da dívida de muitos. Embora as taxas permaneçam altas, novas diretrizes podem facilitar a renegociação de dívidas com instituições financeiras e reduzir o impacto das altas taxas de juros, promovendo maior acessibilidade aos recursos financeiros. Esse programa levará em consideração não apenas a renegociação das dividas existentes, mas também o fortalecimento do orçamento familiar.
Com a análise cuidadosa de especialistas, fica evidente que a execução do programa de renegociação poderá aliviar a pressão sobre os consumidores, permitindo que aqueles que estão trabalhando para se estabilizar puderam reorganizar suas finanças. No entanto, a eficácia da implementação e adesão das instituições financeiras será crucial para que as medidas surtam efeito positivo.
A reflexão final que se apresenta neste cenário é a necessidade de planejamento e educação financeira para todos que desejam evitar as armadilhas do crédito rotativo e outros produtos com juros vertiginosos. Antes de contrair qualquer dívida, é imprescindível entender todas as condições e o impacto que podem ter no dia a dia.



