Criança é impedida de subir em árvore no Parque Villa-Lobos, em São Paulo: debate sobre liberdade infantil e contato com natureza

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SÃO PAULO (SP) — O episódio envolvendo um menino de 7 anos que foi repreendido por um segurança após subir em uma árvore no Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste da capital paulista, reacendeu o debate sobre os limites entre a proteção ambiental e o direito ao brincar livre nos espaços públicos da maior metrópole do país. O caso, ocorrido na última sexta-feira (5), viralizou nas redes sociais após o pai do garoto, o botânico e paisagista Ricardo Cardim, gravar um vídeo relatando a abordagem. De acordo com Cardim, a criança ficou assustada e constrangida com a intervenção do agente, que seguiu o regulamento interno do parque administrado pela concessionária Reserva Paulista desde 2022. A regra que proíbe subir em árvores, amarrar objetos ou danificar a vegetação está em vigor há mais de duas décadas em diversos parques municipais e estaduais de SÃO PAULO, segundo documentos consultados. Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que a proibição reflete um excesso de controle sobre a infância e uma perda de oportunidades essenciais para o desenvolvimento infantil, enquanto a administração do parque afirma estar aberta a discutir alternativas seguras de interação com a natureza.

Segurança versus desenvolvimento infantil na gestão dos parques paulistanos

Para a engenheira ambiental Isabel Barros, coordenadora de projetos do Instituto Alana, a restrição é sintoma de um fenômeno mais amplo: a redução drástica da autonomia infantil e do “raio de ação” das crianças nas grandes cidades. “Se uma criança não puder subir numa árvore dentro de um parque, talvez ela não suba em lugar nenhum”, afirmou a especialista, que ressaltou a importância de atividades como escalada para o desenvolvimento motor, emocional e cognitivo. Segundo ela, os parques têm a responsabilidade de oferecer experiências que se tornaram raras no cotidiano urbano, como correr, construir cabanas e explorar a natureza. A educadora e antropóloga Adriana Friedmann complementou que o episódio revela um movimento de “higienização da infância”, no qual adultos tentam controlar cada movimento das crianças, esquecendo da própria vivência. “Queremos proteger as crianças, mas bloqueamos experiências fundamentais para seu desenvolvimento”, disse.

Posição oficial da concessionária e da prefeitura sobre a proibição

A concessionária Reserva Paulista, responsável pelo Parque Villa-Lobos, divulgou nota em que lamenta o desconforto causado à família e reafirma que a orientação do segurança seguiu as normas vigentes do parque. Segundo a empresa, a restrição está prevista no Regulamento de Operacionalização e Uso, elaborado em 2019, antes mesmo da concessão, e tem como objetivo prevenir acidentes e preservar as espécies vegetais. “Estamos abertos a ouvir a sociedade para construir novas alternativas de interação com a natureza para as crianças”, afirmou a concessionária. Já a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) informou que valoriza o uso dos parques por crianças, mas que as regras protegem as árvores e a segurança dos frequentadores. A pasta destacou que implantou parquinhos naturalizados com brinquedos feitos de resíduos de manejo arbóreo e mantém diálogo com instituições ligadas à infância. O botânico Ricardo Cardim sugeriu que árvores adequadas para escalada infantil sejam identificadas e sinalizadas, evitando danos à vegetação e proporcionando experiências seguras. “Preservar a natureza é ensinar as crianças a amá-la”, afirmou.

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