Histórico de violência doméstica não denunciado
Segundo a delegada, o relacionamento entre Camile e Ruan era marcado por brigas e agressões constantes. Em fevereiro deste ano, ele a agrediu a ponto de deixá-la com o olho roxo, mas a vítima nunca registrou queixa formal na delegacia. “Logo depois, ela descobriu uma traição dele, e esse foi o motivo da separação”, relatou a delegada em depoimento à imprensa. A decisão de Camile de romper o vínculo ocorreu recentemente, o que intensificou a recusa de Ruan em aceitar o término. A Polícia Civil do Rio de Janeiro apurou que o crime foi meticulosamente planejado para ocorrer no momento em que os filhos estivessem fora de casa, evitando testemunhas.
Ameaça de morte e suicídio do agressor
As investigações revelaram que, há duas semanas, Ruan foi até a casa de Camile armado com uma pistola e a ameaçou de morte, dizendo que a mataria e depois se suicidaria. Apesar do alerta, Camile não procurou ajuda policial. No dia do crime, Ruan usou uma faca para atacar a ex-companheira, atingindo-a na nuca, nos seios e nas mãos. Após desferir os golpes fatais, ele subiu em uma escada nos fundos da residência e se enforcou com uma corda. A delegada confirmou que o suicídio ocorreu logo em seguida ao assassinato.
Inquérito encerrado e situação dos filhos
Com a morte do autor do feminicídio, a Polícia Civil informou que o inquérito será encerrado por extinção de punibilidade. Os celulares de Camile e Ruan foram apreendidos para perícia, na tentativa de reconstituir os últimos contatos entre eles. Os filhos gêmeos do casal, de 12 anos, estão sob cuidados de familiares. O caso, ocorrido no Norte Fluminense, reforça o alerta sobre a subnotificação de violência doméstica e a necessidade de intervenção precoce diante de ameaças. A delegada Madeleine Dykeman reiterou que qualquer agressão, mesmo sem lesões aparentes, deve ser registrada para evitar tragédias como essa.


