O cenário político do Brasil ganha novas nuances com a reabertura das investigações relacionadas ao Banco Master, elevando a pressão sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) antes das eleições. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar um inquérito para investigar repasses do banqueiro Daniel Vorcaro à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, traz à tona receios sobre o impacto nas pretensões eleitorais de Flávio.
Os aliados de Flávio já comentam nos bastidores que essa nova etapa na investigação agrava as tensões políticas enfrentadas pelo pré-candidato, que já vive uma sequência de crises. O temor é que o inquérito traga à luz novas informações sobre a relação entre Flávio e Vorcaro, dificultando a recuperação da imagem do senador e de sua campanha presidencial.
A situação já havia gerado constrangimento no passado, especialmente em maio, quando se tornaram públicos os repasses de Vorcaro. Na época, muitos aliados expressaram a quebra de confiança, visto que Flávio não havia mencionado anteriormente qualquer contato com o banqueiro. A reabertura do caso aumenta essa crescente desconfiança e a sensação de que o senador está numa “caixa de Pandora”, como um de seus aliados descreveu, temendo desdobramentos negativos.
A Polícia Federal, com apoio do procurador-geral da República, Paulo Gonet, é quem conduz a investigação sobre os aproximadamente R$ 61 milhões em repasses feitos por uma empresa ligada a Vorcaro. A inquietação aumenta entre a base de Flávio, que já sentiu os efeitos negativos de episódios anteriores e que agora teme novas complicações na reta final de sua pré-campanha.
No contexto desta situação delicada, mensagens e áudios divulgados em maio revelam que Flávio chegou a solicitar financiamento ao banqueiro para a produção do filme. A Polícia Federal busca esclarecer se os recursos foram utilizados apenas para o filme ou se parte deles foi desviada para outros gastos, alimentando a desconfiança em torno do senador.
Frente à realidade da investigação, a produtora GoUp Entertainment Brasil, responsável pelo longa, já manifestou que confia na regularidade dos recursos e se diz pronta para comprovar a legalidade dos repasses. Flávio também declarou que, se houvesse lucros da produção, o valor correspondente ao investimento de Vorcaro seria disponibilizado às autoridades.
Além disso, o caso Vorcaro não é o único enfrentamento de Flávio: a revelação de que seu escritório de advocacia recebeu R$ 500 mil de uma empresa associada a uma consultoria que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master intensificou as preocupações sobre sua imagem e a percepção de sua relação com o banqueiro. Aliados expressam que essa série de episódios torna mais difícil desvincular o nome de Flávio do de Vorcaro.
Por fim, com eleições se aproximando e negociações em curso para garantir alianças, a situação de Flávio na política se mostra cada vez mais complexa. Ele busca apoio do União Brasil, PP e Republicanos, mas enfrenta resistência de partidos que estão cautelosos em função das investigações. A capacidade de Flávio de superar os desgastes e consolidar sua candidatura permanece uma grande incógnita, conforme ele mesmo afirma ser alvo de uma “perseguição” política.





