Cuca é apresentado no Santos e se manifesta sobre a acusação de estupro na Suíça
Novo técnico do Santos, Cuca disse estar engajado na luta contra o feminicídio no Brasil. O paranaense de 63 anos foi condenado à revelia na Suíça, em 1989, por coação e ato sexual com menor de idade, cometidos dois anos antes. Em janeiro de 2024, a condenação foi anulada.
À época do ato, a vítima tinha 13 anos, e Cuca era jogador do Grêmio. A decisão do Tribunal, datada de 2024, não discutiu o mérito do caso, mas anulou a forma como se deu a condenação – à revelia, sem que o réu estivesse presente e seus advogados o defendessem.
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Apresentado pelo Santos em entrevista coletiva nesta sexta-feira, Cuca disse entender a repercussão negativa entre torcedores e comentou o caso.
– Eu não pude acompanhar, foi um dia de viagem desde cedo, de trabalho incessante à tarde. O que eu posso falar: eu, desde 1987, quando era menino e jogava no Grêmio e teve esse episódio de assédio, dirigi diversas equipes e, na verdade, eu nunca dei a importância devida a esse tema, porque era um tema que ficou apagado por 30 e tantos anos. Eu sequer sabia que teve julgamento, sequer um advogado esteve, isso já foi falado um milhão de vezes – disse Cuca.
– Quando fui ao Corinthians, teve aquela enxurrada, tudo aquilo que aconteceu. Me reuni com minha família, minhas filhas, minha mulher, e falei: vamos resolver. Fomos atrás do problema no exterior, fizemos tudo que um ser humano pode fazer para reabrir o processo e não conseguimos mais do que tudo que foi feito, que foi a anulação, que foi paga uma indenização – que não precisava também –, que foi trazer para casa a dignidade de um homem, que, no caso, naquele Corinthians, me machucou bastante – prosseguiu.
Cuca disse ter demorado a entender a gravidade da situação, mas que, hoje, reconhece a importância de se engajar no tema e combater a violência contra a o mulher.
– Eu entendo as pessoas que ficam decepcionadas, elas vivem das notícias, mas, assim, eu peço que elas me entendam também. Eu fiz tudo o que podia dentro da condição ideal. O importante hoje não é o Cuca, é a causa, e eu já falei o que faço pela causa e vou continuar fazendo. Minha jornada não acabou, tem muito caminho pela frente.
– Eu entendo diferente hoje: a pessoa não quer saber do Cuca, do problema, quer saber da causa. Fui entender isso falando com pessoas, com mulheres. Elas querem saber o que o Cuca faz pela causa, e eu faço muita coisa pela causa, mas não sou de ficar falando, não coloco em rede social nenhuma o que faço. Eu me afastei do futebol um ano para poder resolver isso, gastei muito dinheiro para resolver.
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Cuca disse que está aberto a conversar com quem ainda se sente incomodado com sua presença no futebol brasileiro.
– O que posso falar é que as pessoas têm direito de reclamar, achar ruim, mas gostaria que elas me conhecessem. Estou aberto: se um dia quiserem me conhecer, conversar, ver o que faço e por quem eu faço, estou disponível.



