Ameaças dentro da universidade. Em Cuiabá (MT) — Alunos do primeiro semestre do curso de engenharia civil da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) assistirão às aulas remotamente entre os dias 14 e 18 de maio. A medida foi adotada após denúncias de ameaças feitas pelo pai de um estudante, gerando um clima de insegurança no campus.

Segundo a universidade, a decisão de adotar aulas online se deu pela necessidade de garantir a segurança de estudantes e funcionários, evitando assim qualquer risco de novos incidentes. De acordo com relatos, os alunos se sentiram intimidados após episódio ocorrido na terça-feira (12), quando o homem, pai de um aluno, teria ameaçado outros estudantes dentro das dependências da instituição.

O caso está intimamente ligado a um evento que ganhou repercussão nacional: a circulação de uma lista onde alunas eram classificadas como “estupráveis”. Esta lista, inicialmente veiculada no curso de direito, levou ao afastamento de um estudante e desencadeou uma série de investigações internas para apurar a origem e os envolvidos na criação do documento.

Por que a segurança na UFMT foi reforçada em Cuiabá?

A UFMT solicitou reforço junto à Polícia Militar e seu serviço de segurança interna. Estas medidas visam assegurar a tranquilidade no campus nas próximas semanas, enquanto as aulas seguem de modo virtual para o mencionado grupo de alunos.

O diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, acompanhou pessoalmente os estudantes afetados até a delegacia para prestar queixa. Tais ações buscam não somente abordar o problema de maneira eficaz, mas também prover suporte emocional e psicológico aos envolvidos.

Esse cenário de instabilidade e temor contrasta com o histórico da Universidade Federal de Mato Grosso, que até então era vista como um ambiente seguro e acolhedor para seus estudantes e professores. A implementação de medidas de segurança mais rigorosas reflete a gravidade com que a instituição encara a atual crise.

Quais providências judiciais estão em andamento no Mato Grosso?

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso já tomou medidas formais sobre o ocorrido. Além de instaurar uma investigação, foi dado à UFMT um prazo de cinco dias, contando a partir da última quinta-feira (8), para esclarecimentos oficiais sobre as ações internas adotadas em resposta à lista e às subsequentes ameaças.

Entraves judiciais agora envolvem tanto a esfera criminal quanto o código disciplinar da instituição de ensino. Para isso, comissões de inquérito disciplinar foram formadas, abrangendo tanto a Faculdade de Direito quanto a Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia.

Enquanto isso, a defesa do aluno de engenharia civil, diretamente citado nas ameaças, mantém silêncio público, enquanto o jovem permanece afastado de suas atividades acadêmicas com a apresentação de atestado médico. Segundo informações, ele realizará suas tarefas à distância por um período indeterminado.

Como o caso da lista “estupráveis” impacta a imagem da UFMT?

A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que a divulgação de uma lista tão perturbadora como a que classifica alunas como “estupráveis” não só fere a reputação da UFMT, como também evidencia falhas significativas na segurança interna e no controle sobre a cultura do campus. Este caso impera como um alerta vermelho em termos de governança acadêmica e proteção dos direitos dos estudantes.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia um urgente chamado por políticas educacionais que assegurem ambientes de estudo livres de qualquer forma de intimidação e agressão. Em uma análise realizada por nossa equipe, foi constatado que Cuiabá não possui histórico significativo de crimes dessa natureza dentro do ambiente universitário, o que intensifica ainda mais o impacto negativo atual.

Os ânimos agitados pelas acusações também catalisaram uma série de manifestações dentro do campus, nas quais estudantes, munidos de cartazes, expressaram seu descontentamento e exigiram respostas rápidas e eficazes por parte da administração da universidade.

O que espera-se das próximas ações na UFMT?

A Polícia Civil já identificou o suspeito das ameaças e aguarda seu comparecimento para depoimento formal quanto às acusações. O resultado das investigações poderá levar a novas medidas judiciais e administrativas para assegurar que casos como este não se repitam no futuro.

Os estudantes continuam se organizando para se proteger e defender seus direitos, num movimento crescente que busca a reforma das diretrizes que guiam a convivência nas dependências universitárias da UFMT. Há uma expectativa latente de que isso possa inspirar outras instituições de ensino superior pelo Brasil a revisarem suas próprias práticas e regulamentos internos.

Nossa reportagem esteve em contato com membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e do Centro Acadêmico de Direito (CADI), que reafirmaram o compromisso em lidar com o problema de frente e colaborar proativamente com a justiça para que os responsáveis sejam punição e assistência mental seja oferecida.

A equipe do Diário do Estado segue acompanhando o caso de perto e trará novas informações assim que forem confirmadas pela polícia. A dedicação em fornecer informação precisa e abrangente orienta nossos esforços contínuos na cobertura deste evento significativo para Cuiabá e o estado do Mato Grosso.