Jornal Diário do Estado

Da enfermagem à estética: o pioneirismo que une as duas áreas em Goiás

Sacha Gualberto é precursora na implementação da disciplina de Enfermagem em Dermatologia e Estética dentro da graduação na UFG

Quando se pensa em profissionais que trabalham com tratamento estético, o pensamento naturalmente se dirige a esteticistas, biomédicos, dentistas, dermatologistas e médicos em geral. Porém, os enfermeiros também estão começando a se inserir nessa área. É o caso de Sacha Gualberto, especialista em acupuntura e em saúde estética avançada, uma das pioneiras no estado de Goiás.

A transição da enfermagem à estética

Há nove anos, Sacha Gualberto empreende em consultório particular, ministrando cursos e palestras em todo o Brasil. Quando ainda cursava a disciplina de Introdução a Enfermagem, ela já sabia que gostaria de ter uma clínica futuramente. No entanto, não se falava em empreendedorismo dentro da enfermagem, ou negócios próprios para enfermeiros.

Sempre que buscava estética e dermatologia dentro de sua profissão, Sacha se deparava com feridas, e não com a estética em si. Certo dia, uma fisioterapeuta a convidou a fazer estágio. Sacha quase fez uma especialização na área, mas não deu seguimento ao processo pois enfermeiros só podem receber supervisão de outros enfermeiros. Então, em São Paulo, inscreveu-se em uma pós-graduação de acupuntura estética, assim que se formou em enfermagem.

“Abri meu primeiro consultório com o que eu tinha. Nem tinha maca, era uma poltrona, uma mesa, meu pai me deu um ar condicionado. Eu vendia minha auriculoterapia por R$ 15 (cada sessão), e de R$ 15 em R$ 15 eu fui para a China, aprimorar meus conhecimentos por lá”, conta Sacha Gualberto.

Quando concluiu a pós em acupuntura estética, a enfermeira bacharela e licenciada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) começou a se dedicar a cursos livres. Em Goiânia, não havia especialização em estética para enfermeiros. Quando uma turma do tipo abriu, Sacha fez parte das primeiras aulas, para biomédicos e farmacêuticos. Nesse ponto, já tinha passado de um consultório menor para um maior.

Em seguida, passou a compor a diretoria da Sociedade Brasileira de Enfermeiros em Saúde Estética (Sobese). “Dentro dessa sociedade, lutávamos pelos direitos da Enfermagem junto ao Cofen, para que as nossas resoluções fossem criadas e estabelecidas, porque, até então, nós trabalhávamos e atuávamos apenas com um parecer [resolução que os certifique a atuar]”, diz Sacha.

O crescimento como enfermeira esteta

Certificação Internacional em Harvard (EUA) e também pela Xiamen University (China). Residência Clínica em Remodelação Facial pelo Instituto Revolution Curitiba. Pioneira na implementação da disciplina Enfermagem em Dermatologia e Estética dentro da graduação na UFG. Aos poucos, Sacha Gualberto foi conquistando o seu espaço.

Em Caiapônia, no sudoeste de Goiás, a profissional construiu uma clínica com 24 multiprofissionais. Entre eles, cirurgiões, nutrólogos e esteticistas. Porém, veio a pandemia da Covid-19, que afetou diretamente os planos.

“No primeiro lockdown eu pensei: ‘meu Deus, o que vou fazer com esta clínica cheia de gente nova, recém-inaugurada?’, sendo que não podíamos deixar as portas abertas. Recebi o convite da pós-graduação do CEEN na PUC, para assumir a coordenação em Goiânia. Como eu ficava a mais de 340 km, decidi abraçar o risco, como boa empreendedora que sou”, prossegue Sacha.

Com isso, a enfermeira esteta tomou a decisão de vender a clínica e se mudar para a Capital. Abriu uma turma, depois duas, três, quatro, cinco. Hoje, já são seis turmas, sendo que algumas concluíram suas formações.

Há dois anos de volta a Goiânia, Sacha conseguiu implementar pela primeira vez no Brasil a disciplina de enfermagem estética dentro da graduação, como optativa. Atualmente, está com a segunda turma. Além disso, ela é a CEO do Nurse Injectors, primeiro curso do Brasil de harmonização facial, exclusivo para enfermeiros.

“Defendo a bandeira de enfermagem estética com um posicionamento firme, de valorização profissional, sempre no intuito de fazer com que os colegas acreditem na sua capacidade científica, técnica e legal de atuação. Eu tenho um bordão de que ‘a seringa é nossa’, para que a gente possa sempre sustentar essa fala, porque ela foi criada por nós (enfermeiras). A única diferença entre a seringa da estética e a da assistência é o conteúdo dentro dela”, conclui Sacha.