DE é criticado por vídeo racista com Obama e Michelle. Casa Branca apaga postagem após polêmica. Repúdio de republicanos e democratas.

de-e-criticado-por-video-racista-com-obama-e-michelle.-casa-branca-apaga-postagem-apos-polemica.-repudio-de-republicanos-e-democratas

DE condenou, mas não pediu desculpas, por um vídeo publicado em sua conta nas redes sociais que retratava o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos, desencadeando críticas imediatas — inclusive dentro do próprio Partido Republicano — por desumanizar pessoas de ascendência africana. A informação foi divulgada pela agência Reuters.

A Casa Branca chegou a defender a postagem na sexta-feira, mas apagou o conteúdo cerca de 12 horas após sua publicação. O episódio ampliou a pressão sobre a equipe presidencial e levantou questionamentos sobre o uso institucional das redes sociais e sobre os controles internos em torno de publicações que podem gerar crises políticas e diplomáticas.

O vídeo, com cerca de um minuto, foi compartilhado na rede Truth Social na noite de quinta-feira. O conteúdo amplificava alegações falsas de que a derrota de DE em 2020 teria sido fruto de fraude eleitoral. Perto do fim, aparecia um trecho breve — descrito como aparentemente gerado por inteligência artificial — com primatas dançando, enquanto as cabeças de Barack e Michelle Obama eram sobrepostas às imagens.

A comparação de pessoas negras com macacos é uma forma histórica de racismo, usada durante séculos como instrumento de desumanização e dominação. Por isso, a postagem foi interpretada como um ataque abertamente racista e gerou repúdio de democratas e de republicanos, que exigiram remoção e retratação.

Na noite de sexta-feira, ao falar com repórteres, DE afirmou que não assistiu ao vídeo completo antes de um assessor publicá-lo em sua conta. Em declaração que expõe a rotina de circulação de conteúdo dentro do entorno presidencial, ele afirmou: “Eu não vi a coisa toda.” Em seguida, explicou o que teria visto: “Eu olhei a primeira parte, e era realmente sobre fraude eleitoral nas máquinas, como é corrupto, como é nojento. Aí eu dei para as pessoas. Em geral, elas olham tudo. Mas acho que alguém não olhou.”

O episódio foi marcado por narrativas concorrentes dentro da própria Casa Branca. Em um primeiro momento, uma porta-voz do governo descreveu o vídeo como um “meme de internet” inofensivo e enquadrou as críticas como “indignação falsa”. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que se tratava de um conteúdo que mostraria DE como “o rei da selva” e os democratas como personagens de “O Rei Leão”, com música associada ao musical da Disney.

A publicação provocou críticas de democratas e também de republicanos — inclusive aliados próximos de DE. O senador Tim Scott, da Carolina do Sul, um dos principais nomes negros do Partido Republicano, reagiu publicamente e sugeriu que o conteúdo deveria ser removido. “Rezo para que seja falso porque é a coisa mais racista que eu já vi sair desta Casa Branca”, escreveu ele em uma rede social. “O presidente deveria remover.”

O episódio reforça um histórico de promoção de retórica racista por DE e de uso de teorias conspiratórias como instrumento político. O presidente, que está em seu segundo mandato, foi um dos principais divulgadores da tese falsa de que Barack Obama não teria nascido nos Estados Unidos — narrativa conspiratória que alimentou campanhas de deslegitimação racial e política.

Além do conteúdo em si, a crise reacendeu o debate sobre protocolos e governança digital na Presidência dos EUA. DE utiliza as redes sociais para anunciar medidas, interferir no debate público e amplificar conteúdos produzidos por apoiadores para uma audiência de milhões. O relato aponta que esse estilo de comunicação, somado ao alcance e ao potencial de “mover mercados” e “provocar adversários”, eleva o risco institucional quando publicações são feitas sem checagem adequada.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp