Débora Garofalo de SP vence prêmio internacional de educação como a professora mais influente: saiba mais sobre seu projeto inovador

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Professora de SP é eleita a educadora mais influente do mundo por fundação que
criou prêmio conhecido como o ‘Nobel da Educação’

Débora Garofalo recebeu reconhecimento inédito da Varkey Foundation, criadora do
Global Teacher Prize, por usar a robótica com sucata e as redes sociais para
ampliar o aprendizado dentro e fora da sala de aula.

Débora Garofalo foi reconhecida como a educadora mais influente do mundo pela
Varkey Foundation — Foto: Divulgação

A professora de São Paulo Débora Garofalo foi reconhecida como a educadora mais influente do mundo pela
Varkey Foundation, fundação internacional que criou o tradicional Global Teacher
Prize, principal prêmio para professores do mundo considerado o “Nobel da
Educação”.

Em 2019, Débora se tornou a primeira brasileira e a primeira sul-americana a ser
finalista no Global Teacher Prize após idealizar um projeto de robótica na
Escola Municipal Ary Parreiras, na capital paulista (veja mais abaixo).

Agora, segundo a fundação, a professora brasileira se tornou a primeira pessoa a
receber o prêmio de educador mais influente, lançado este ano para reconhecer
profissionais que usam as mídias sociais para expandir o aprendizado para além
da sala de aula.

“Por meio de seu programa de ‘robótica com sucata’, ela transforma materiais
descartados em experiências de aprendizado impactantes, inspirando alunos,
comunidades e educadores no Brasil e em outros países. Parabéns, Débora!”,
divulgou a fundação nas suas redes sociais.

Débora recebeu o prêmio na última segunda-feira (2) de Jay Varkey, membro do
Conselho da Fundação Varkey e vice-CEO da GEMS Education, em um jantar de gala
no Atlantis, The Palm, em Dubai, nos Emirados Áraves.

PROJETO DE ROBÓTICA

Débora Garofalo em sala de aula em São Paulo. — Foto: Divulgação

Em 2015, Débora dava aula de tecnologias na Escola Municipal Almirante Ary
Parreiras, em São Paulo, unidade que fica perto de quatro favelas conhecidas
pela violência e com sérios problemas de despejo de lixo.

Foi por conta desse problema com lixo que surgiu a ideia do projeto “Robótica
com sucata promovendo a sustentabilidade”.

“Eles [alunos] começaram a me relatar que eles não iam para a escola em dia de
chuva por causa da questão do lixo. A rua da escola, o muro da escola, era um
muro tomado de lixo. Era necessário fazer alguma coisa”, contou Débora, na
época, em entrevista ao Jornal Nacional.

A professora, então, começou a recolher sucata pelas ruas da cidade e trazer
para a sala de aula para ensinar robótica aos estudantes de 6 a 14 anos.

O resultado? Robôs, controles remotos e diversos protótipos de carrinhos,
aeronaves, barcos e até máquina de refrigerante com o material recolhido. A ação
resultou no aproveitamento de mais de uma tonelada de materiais recicláveis.

ENTRE OS 10 MELHORES PROFESSORES DO MUNDO

Professora brasileira é uma das dez finalistas do maior prêmio de educação do
mundo

O trabalho de Débora foi selecionado entre mais de 10 mil candidatos de 179
países. A lista dos 50 melhores professores do mundo, divulgada em dezembro de 2018, tinha representantes de 39 países. Já o top 10 de
melhores educadores do planeta, divulgado em fevereiro de 2019, contou com
representantes de Reino Unido, Holanda, Japão, Argentina, Estados Unidos,
Quênia, Índia, Geórgia, Austrália e Brasil.

Na época, a professora afirmou ao DE que recebeu a notícia em casa, e que se
emocionou ao saber que estava entre os 10 melhores professores do mundo.

“Eles me ligaram, fizeram um ar de mistério e de repente, com grande público
reunido, na Argentina, me deram a notícia. Foi uma imensa alegria, ver todos
reunidos, aplaudindo… Chorei muito, já que eu não esperava. Sem dúvida, foi
uma grande surpresa pra mim. Ainda mais depois de passar pelo Top 50 e ver o
quanto todos esses professores têm trabalhos maravilhosos. Agora, com nosso
trabalho entre os 10, é uma alegria muito grande!”, afirmou.

Para a escolha, o comitê de premiação levou em consideração o emprego de
práticas educacionais escalonáveis, inovadoras, que tenham resultados visíveis,
causem impacto na comunidade, melhorem a profissão docente e ajudem os alunos a
tornarem-se cidadãos.

O anúncio foi feito em vídeo pelo ator australiano Hugh Jackman, famoso pelo
papel de “Wolverine”, para quem os professores são “os verdadeiros
super-heróis”, e que aproveitou para fazer uma declaração emocionada ao
professor que o inspirou, Lisle Jones.

A cerimônia foi realizada em março de 2019. O vencedor foi o queniano Peter
Tabichi, que dá aula para jovens muito pobres na área rural desértica. Na época,
ao Jornal Nacional, a professora ressaltou: “Todos nós, brasileiros, já somos
vencedores. O nosso sonho não acaba aqui. Ele só está começando”.

Após o reconhecimento, Débora passou a ocupar funções estratégicas na gestão
pública, com atuação na Secretaria Estadual de Educação de São Paulo para
implementar a disciplina de tecnologias dentro do programa Inova Educação, e na
Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. Atualmente, ela desenvolve
projetos e ações educacionais.

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