Desde o primeiro ataque da Guerra no Irã, em 28 de fevereiro, Israel tem matado figuras de alto escalão do regime de Teerã – a começar pelo líder supremo, Ali Khamenei, a maior autoridade do país.
Nesta semana, a baixa mais relevante foi a morte de Ali Larijani. Oficialmente, ele ocupava o posto de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, mas EUA e Israel acreditam que era Larijani que chefiava de fato o Irã desde a morte de Ali Khamenei.
Enquanto os EUA se concentram em outros alvos, como a indústria de petróleo do país, os ataques contra autoridades têm sido feitos, em sua grande maioria, por Israel.
A estratégia de ‘decapitação’ — no sentido figurado, de buscar matar as lideranças inimigas — não é comum nas guerras modernas, como explica Carlos Gustavo Poggio, cientista político e professor do Berea College, dos EUA.
‘Decapitação’ é uma estratégia que muitas vezes é aplicada contra grupos armados, ou grupos terroristas. Quando você vai decapitar a liderança nesse grupo armado, esse grupo armado é hierárquico, portanto você consegue enfraquecê-lo bastante.
Ele afirma que um Estado, por sua vez, é um organismo mais complexo do que um grupo armado, já que estrutura toda uma sociedade.
A gente viu pouquíssimas vezes na história um chefe de estado ser morto por uma nação estrangeira, ainda mais nessas condições que nós vimos acontecer agora. É algo inadequado, porque o regime continua de pé, a capacidade de retaliação continua e muitas vezes esse tipo de ação pode levar a um efeito inverso, da população se revoltar contra quem está atacando, eventualmente endurecer o regime, em vez de quebrá-lo’, diz Poggio.
É o que parece ser o caso do Irã. O regime não apenas não caiu, como o filho de Ali, Mojtaba Khamenei — um clérigo ‘linha-dura’ — foi escolhido como novo líder supremo, dando continuidade ao regime dos aiatolás.




