Decisão não é política entre eu e o ministro Alexandre, diz Marina sobre exploração de petróleo na Foz do Amazonas
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (3) que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas se trata de uma decisão do Ibama, e não de um embate político entre dois ministros do governo. O tema tem colocado em lados opostos, desde o início do governo, órgãos ambientais como Ibama e Ministério do Meio Ambiente e instâncias ligadas à extração do óleo, como Petrobras e Ministério de Minas e Energia, chefiado por Alexandre Silveira. Pela projeção da Petrobras, a exploração de petróleo na região, se aprovada, pode render cerca de 10 bilhões de barris de petróleo.
Marina explicou que Silveira pediu uma reunião com ela para tratar sobre o tema. Mas, os dois ainda estão em tratativas sobre uma possível data. “O processo está sendo analisado pelo Ibama, as questões do licenciamento, tem até uma sala de situação na Casa Civil, não impede que um ou outro colega de trabalho possa pedir reunião. A decisão não é política entre eu e o ministro Alexandre, a decisão será tomada pelo Ibama”, disse a ministra.
Marina deu a declaração na sede do Ministério das Relações Exteriores, após um encontro entre ministros do Meio Ambiente dos países que compõem o Brics, grupo presidido pelo Brasil neste ano. A transição energética é a mudança da matriz energética do país para fontes renováveis, com o objetivo de reduzir as emissões de carbono. Nesta quinta-feira (3), ela lembrou que na COP28, nos Emirados Árabes, foi firmado um acordo de transição energética dos combustíveis fósseis para energias mais limpas. A ministra também enfatizou a necessidade de a COP30, marcada para ocorrer em novembro, no Pará, conseguir soluções concretas para o financiamento climático e estruturar implementações de ações que façam o combate as mudanças do clima.
A embaixadora e diretora do departamento de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Maria Angelica Ikeda, afirmou que os países do Brics pretendem levar uma posição conjunta sobre o tema para a COP30. A Secretária Nacional de Mudança do Clima e CEO da COP30, Ana Toni, explicou que, na reunião entre os ministros de Meio Ambiente do Brics, ficou acordado que cada país será responsável por contabilizar as ações já em andamento no âmbito do combate às mudanças do clima, e os custos dessas iniciativas. O objetivo é deixar clara a contribuição dos países em desenvolvimento.