Defesa de ex-piloto réu por morte de adolescente no DF se retira do caso
Escritório afirmou que entregou ‘melhor empenho’ na defesa. Pedro Turra se tornou réu pela morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos.
Pedro Turra é suspeito de agredir adolescente de 16 anos em Vicente Pires. — Foto: TV Globo/Reprodução
A defesa do ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, anunciou nesta quarta-feira (25) que deixou o caso — duas semanas após a Justiça do Distrito Federal aceitar a denúncia por homicídio e torná-lo réu pela morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos.
Questionado pelo DE se a decisão partiu da família do acusado ou dos advogados, o escritório Fior, Corrêa, Mendes & Kaefer disse não poder responder “por limites contratuais”.
No comunicado, o escritório afirmou estar “ciente de ter entregue seu melhor empenho na defesa dos direitos do constituinte”. Os advogados também reafirmaram “compromisso inabalável com a defesa intransigente do devido processo legal, das garantias constitucionais do cidadão e da sociedade como um todo”.
O processo está em fase de apresentação da defesa prévia do acusado e produção de provas, antes do julgamento. Pedro Turra cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciária da Papuda, desde 2 de fevereiro. Nesta semana, o Superior Tribunal de Justiça negou um novo pedido de habeas corpus da até então defesa.
‘PERFIL VIOLENTO’
Ao receber a denúncia do Ministério Público, a Justiça do Distrito Federal afirmou Pedro Turra tem um “padrão de comportamento violento” e mencionou possível tentativa de interferência nas investigações.
Na decisão, o juiz André Silva Ribeiro cita outras ocorrências policiais envolvendo Pedro Turra e afirma que os registros indicam reiteração de condutas agressivas.
Além da agressão em janeiro contra Rodrigo Castanheira, os episódios de violência citados pelo juiz são: uma briga em uma praça de Águas Claras, em junho de 2025 (registrada naquele mês); a denúncia de uma jovem que afirma que Pedro a forçou a ingerir bebida alcoólica e a torturou com um taser, quando ela ainda era menor de idade; e a agressão contra um homem de 49 anos em uma briga de trânsito.
INDÍCIOS DE DEPOIMENTOS COMBINADOS
Outro trecho da decisão trata da possibilidade de interferência na investigação. O juiz aponta que há indícios de tentativa de “alinhamento de narrativas”, o que poderia comprometer a apuração dos fatos.
Nos depoimentos à Polícia Civil, alguns amigos de Pedro Turra que estavam no local disseram ter visto o adolescente manuseando um “canivete” minutos antes do início da briga. O item, no entanto, não aparece nos vídeos de câmeras de segurança obtidos pela polícia.
RELEMBRE
Pedro Turra agrediu Rodrigo Castanheira, de 16 anos, em 23 de janeiro em Vicente Pires, no Distrito Federal. O adolescente morreu após 16 dias internado em estado gravíssimo.
Com a morte de Rodrigo, o MP reclassificou o crime cometido por Pedro Turra, inicialmente investigado como lesão corporal gravíssima, para homicídio. Além da condenação criminal, o MP pediu que Pedro Turra seja obrigado a pagar R$ 400 mil por danos morais à família da vítima.
A defesa do ex-piloto Pedro Turra disse que não vai se manifestar sobre a denúncia. Já a defesa da família do adolescente Rodrigo Castanheira alega que o soco dado por Pedro Turra foi a causa da morte. Ao DE, a Polícia Civil disse que foi solicitado à defesa da família de Rodrigo que seja feito um pedido formal para que o médico do Instituto Médico Legal (IML) analise se as lesões são compatíveis ou não ao apresentado pelo laudo médico.
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