Dengue: agentes ficam sem entrar em quase metade das casas durante vistorias em
Ribeirão Preto
Imóveis fechados ou moradores que não atendem dificultam combate ao mosquito.
Cidade tem 47 casos confirmados em 2026 e cobertura da 2ª dose da vacina está em
37%.
Agentes não conseguem entrar em 40% das casas durante vistorias contra dengue em
Ribeirão
A Vigilância em Saúde de Ribeirão Preto, localizada em São Paulo, enfrenta dificuldades para controlar os criadouros do mosquito Aedes aegypti
neste verão. Segundo a pasta, cerca de 40% dos imóveis visitados pelas equipes
estão fechados ou têm a entrada recusada pelos moradores, o que compromete o
trabalho de prevenção da dengue.
Os agentes de controle de endemias percorrem bairros específicos a partir da
concentração de casos suspeitos ou confirmados, densidade populacional e
características da região.
A visita é realizada de casa em casa, com orientação aos moradores e inspeção de
quintais, calhas, ralos, caixas d’água e recipientes que possam acumular água.
Quando não há acesso ao imóvel, a vistoria fica pendente e a equipe programa uma
nova tentativa.
“É bastante comum. A gente sabe que tem gente que sai para trabalhar, mas tem
gente que não atende mesmo. A pessoa nos ouve, mas fica lá dentro e insiste em
não atender”, afirma o agente de controle de endemias Luís Henrique Jardim.
Ele explica que a recusa ou ausência dificulta a continuidade do trabalho,
inclusive para ações posteriores, como a nebulização.
De acordo com a subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi,
todos os imóveis não avaliados entram em uma lista de revisita.
“Aquele domicílio que não conseguimos avaliar fica pendente. Fazemos uma
segunda tentativa para orientar o morador sobre eliminação de focos, medidas
simples e controle mecânico, tudo para reduzir a infestação.”
Além da orientação, quando necessário, os agentes realizam tratamento focal com
larvicida em recipientes que não podem ser removidos ou vedados. As ações
ocorrem durante todo o ano e são intensificadas em períodos de maior
transmissão.
Entre 1º de janeiro e 19 de fevereiro de 2026, Ribeirão Preto registrou 1.926
notificações de dengue, com 47 casos confirmados e nenhum óbito. No mesmo
período de 2025, foram 11.274 notificações, 7.434 confirmações e cinco mortes.
Apesar da redução em relação ao ano anterior, a Vigilância mantém o alerta por
causa das condições climáticas do verão, com altas temperaturas e chuvas
frequentes, que favorecem a reprodução do mosquito.
“A vacina contra a dengue está disponível nas unidades de saúde da cidade para o
público-alvo definido pelo Ministério da Saúde. Em 2026, 87% dos adolescentes receberam a
primeira dose, mas apenas 37% completaram o esquema vacinal com a segunda
aplicação”, ressalta a Secretaria.
A principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de água parada.
Pratos de plantas, pneus, garrafas abertas, calhas entupidas e caixas d’água
destampadas são exemplos de locais que podem se transformar em criadouros.
No bairro Jardim Aeroporto, após tentativas anteriores sem sucesso, os agentes
conseguiram vistoriar a casa da dona de casa Deusilaine Brito Cruz. No quintal
com várias plantas, nenhuma larva foi encontrada.
“Eu gosto de planta, mas estou sempre olhando o quintal. Nunca deixo nada com
água”, diz.
Ela conta que já teve um familiar com dengue. “Não é fácil. Meu marido teve
muita dor no corpo e a gente aprendeu a ter cuidado.”




