A vacinação contra a dengue foi ampliada para todo o Rio Grande do Sul nesta semana, após a confirmação do primeiro óbito em 2026 no estado. A intensificação dos esforços de imunização ocorre após o anúncio, nesta sexta-feira (17), pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), reforçando a importância da prevenção no enfrentamento ao vírus.

Segundo informações da SES, a vítima era um idoso de 83 anos com comorbidades, residente em Jacutinga, no Norte do estado. O falecimento aconteceu no dia 15 de abril, mas a divulgação oficial ocorreu somente nesta sexta, elevando o alerta nas autoridades de saúde da região e destacando o aumento das medidas preventivas.

Os números atuais refletem mudanças importantes no cenário epidemiológico do Gaúcho: até o momento, foram contabilizados 596 casos de dengue e um óbito, representando uma queda expressiva em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 20.573 casos e 13 mortes. A redução é consequência direta dos avanços em vacinação, monitoramento e combate ao vetor.

Primeira morte por dengue em 2026 acende alerta em todo estado

A confirmação do primeiro óbito por dengue em 2026 sinaliza a necessidade de intensificação das ações de controle e prevenção. De acordo com a SES, embora o estado registre queda nos casos em comparação com 2025, o risco segue presente, especialmente para populações mais vulneráveis. “A letalidade do vírus aumenta em grupos com doenças crônicas e idade avançada”, afirmou a Secretária de Saúde.

Moradores de Jacutinga, município impactado pela primeira morte, relatam preocupação devido ao histórico recente de chuvas e acúmulo de água parada. Segundo especialistas, as condições climáticas típicas do Rio Grande do Sul para este período favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão da doença.

O Ministério da Saúde alertou, em nota enviada ao DE, que oscilações de temperatura e umidade afetam diretamente o ciclo do mosquito. “A prevenção só é efetiva com o engajamento de toda a comunidade e atualização do esquema vacinal”, salientou o órgão. A ampliação do acesso à vacina para todos os municípios pode ser um divisor de águas no cenário epidêmico gaúcho.

Vacinação alcança todas as cidades e grupos prioritários

Em resposta ao novo óbito e à persistência da dengue, autoridades estaduais informaram que o imunizante está disponível em postos de saúde de todos os municípios do estado. De acordo com a SES, crianças e adolescentes de 10 a 14 anos integram o grupo prioritário devido ao risco elevado de hospitalização, mas idosos, gestantes e pessoas com comorbidades também são contemplados.

A vacinação foi iniciada em fevereiro para este público e, agora, ganha reforço com a adesão integral do estado. A carteira do SUS e caderneta de vacinação são itens obrigatórios na hora de receber a dose. O objetivo é garantir cobertura ampla antes do aumento sazonal previsto para os meses seguintes. “A imunização é ferramenta crucial para evitar complicações e mortes”, destacou a SES.

Até o fechamento desta reportagem, mais de 60% das doses destinadas ao público-alvo já haviam sido aplicadas em áreas urbanas e rurais do Rio Grande do Sul. A campanha de vacinação incluiu mobilizações em escolas, praças e comunidades periféricas, visando alcançar inclusive aquelas regiões de difícil acesso.

Sintomas, diagnóstico precoce e recomendações

A dengue é caracterizada por sintomas como febre alta (com duração de dois a sete dias), dores de cabeça, atrás dos olhos, nas articulações e no corpo, além de mal-estar, náusea, vômitos, diarreia e manchas vermelhas na pele. Esses sinais exigem atenção, especialmente em idosos e grupos de risco.

A orientação da Secretaria Estadual de Saúde é buscar o posto mais próximo ao perceber qualquer manifestação clínica suspeita. O diagnóstico precoce, segundo especialistas, é fundamental para iniciar o tratamento de suporte e impedir o agravamento do quadro, minimizando as chances de complicações graves e até mesmo a ocorrência de óbito.

De acordo com médicos infectologistas, hospitais e unidades básicas de saúde de Porto Alegre e cidades do interior foram equipadas com testes rápidos e protocolo atualizado para agilizar o atendimento dos casos suspeitos. A população também é orientada sobre automedicação, que pode ser perigosa em quadros de dengue, e sobre a importância do repouso e hidratação.

Com a ampliação da vacinação, hospitais e clínicas devem observar queda ainda maior na gravidade dos casos ao longo das próximas semanas. O que esperar para os próximos dias é uma intensificação das campanhas educativas, com objetivo de atingir não apenas públicos vulneráveis, mas toda a população do estado.

A SES também chamou a atenção para a necessidade de eliminar focos do mosquito Aedes aegypti nas casas e nas imediações urbanas e rurais do Gaúcho. Entre os cuidados recomendados estão a limpeza de pátios, calhas e caixas d’água, o descarte correto de objetos inservíveis e a manutenção de ambientes secos e ventilados.

Especialistas apontam que, embora a vacinação seja o principal avanço do ano, ações cotidianas da população ainda fazem diferença no controle da epidemia. De acordo com a DE, os resultados positivos já observados reforçam o impacto das medidas conjuntas de prevenção, imunização e conscientização em todo o estado.