Denúncia de despejo de dejetos do Hospital Regional em área quilombola

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Moradores da Comunidade Quilombola Outeiro, na zona rural de Monção, no interior do Maranhão, denunciam que dejetos coletados no Hospital Regional estariam sendo despejados, sem qualquer tratamento, em uma escavação dentro do território quilombola. O material, segundo eles, é lançado diretamente no solo, sem impermeabilização, e representa risco à saúde e ao meio ambiente.

Após o flagrante, a comunidade realizou uma manifestação e bloqueou a estrada que leva à área de pasto onde ocorre o descarte. No local, moradores encontraram uma espécie de açude com líquido esverdeado e registraram caminhões limpa-fossa despejando resíduos no local.

As imagens feitas pela própria comunidade mostram uma escavação de grande porte, que formou uma lagoa com água esverdeada. Segundo os moradores, ali estariam sendo depositados os dejetos retirados das fossas do hospital. A área é aberta, cercada por vegetação e próxima a terrenos usados para agricultura familiar.

O QUE DIZEM AS AUTORIDADES

Em nota enviada à TV Mirante, a Prefeitura de Monção disse que não estava ciente do problema e informou que a empresa responsável pela coleta dos dejetos do hospital já havia sido multada por despejo em local inapropriado. A gestão municipal afirmou ainda que uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente irá ao local nesta terça-feira (10) para averiguar a denúncia.

A Secretaria Estadual de Saúde disse que a empresa responsável pelo serviço já foi notificada e que determinou a correção imediata do procedimento, com a adoção de medidas para garantir o descarte de forma regular em local apropriado, conforme as exigências legais. Leia abaixo a nota na íntegra.

Já a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) informou que realizará fiscalização para apurar o manejo e a destinação de resíduos. Leia abaixo a nota na íntegra.

REPERCUSSÕES AMBIENTAIS

Os moradores da Comunidade Quilombola Outeiro expressaram profundas preocupações com a contaminação do ar e da água devido ao descarte inadequado de resíduos hospitalares em seu território. Produtores rurais locais estão apreensivos com os potenciais impactos negativos que essa prática pode acarretar para a saúde de suas famílias e para o ecossistema frágil da região.

Os líderes da comunidade destacaram a violação dos direitos quilombolas e a falta de respeito com a natureza, clamando por soluções imediatas e responsabilização dos envolvidos. O cenário de desolação gerado pela presença dos caminhões limpa-fossa no local tem gerado revolta e indignação entre os quilombolas, que se sentem desamparados perante esta situação grave.

A situação alarmante exige uma ação urgente das autoridades competentes e o apoio das instituições responsáveis pela preservação do meio ambiente e da saúde pública para evitar uma tragédia ambiental e social que pode comprometer o futuro da comunidade quilombola de Outeiro e de toda a região.