Em 2024, a Alemanha tornou-se o primeiro país europeu a autorizar deportações coletivas de afegãos. Cerca de cem pessoas condenadas pela justiça foram enviadas em voos fretados com a ajuda do Catar. Após a decisão alemã, países como Áustria, Bélgica e Suécia passaram a discutir políticas semelhantes, com apoio de grupos que defendem maior rigidez migratória na região.
A postura da França em relação a essa questão é mais cautelosa, optando por avaliar cada caso individualmente antes de apoiar uma decisão conjunta do bloco. Em outubro, vários países enviaram uma carta a Bruxelas solicitando soluções para o retorno ao Afeganistão de pessoas com pedidos de asilo negados ou condenadas judicialmente. Freddy Roosemont, diretor do Escritório de Estrangeiros da Bélgica, afirmou que estão em contato com a Comissão Europeia para discutir o assunto.
A Comissão Europeia realizou duas missões técnicas no Afeganistão, em fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, a fim de estudar a organização de deportações. O porta-voz Markus Lammert reconheceu os desafios envolvidos nesse processo, especialmente em meio à crise humanitária no Afeganistão. Desde 2023, mais de cinco milhões de afegãos retornaram do Irã e do Paquistão, muitas vezes de forma forçada, vivendo em condições precárias.
Entidades humanitárias têm se manifestado contra a ampliação das deportações, destacando que nenhum país deveria realizar esse tipo de ação à força. A Human Rights Watch e a agência da ONU para refugiados expressaram preocupações sobre a situação dos afegãos e a necessidade de aumentar a ajuda internacional ao país. Os entraves diplomáticos que cercam a implementação dessas medidas incluem a necessidade de diálogo com o Talibã, a questão dos passaportes e o funcionamento das representações afegãs na Europa, além de questões logísticas como a capacidade do aeroporto de Cabul.



