Deputada da Alesp faz ‘blackface’ em discurso contra Erika Hilton

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A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) provocou polêmica ao se pintar de marrom durante uma sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), criticando a escolha de Erika Hilton como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

A prática, conhecida como ‘blackface’, consiste em pessoas brancas se maquiarem com o intuito de caricaturizar pessoas negras, configurando um ato racista.

Eleita em 2022, Fabiana Bolsonaro, apesar do sobrenome, não tem parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até o momento, seu único projeto de lei aprovado institui o ‘Dia da Família Cristã’.

No decorrer de seu mandato, a deputada aprovou projetos relacionados ao turismo e promoveu a reeleição de André do Prado (PL). A bancada do PSOL afirmou que abrirá representação por quebra de decoro contra Fabiana e solicitará investigação por racismo e transfobia ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Em seu discurso, Fabiana questionou se, ao se pintar de negra, ela se tornaria negra, afirmando que não adianta ‘travestir-se de mulher’ e discordando da escolha de Erika Hilton por ser uma mulher trans.

O PSOL também entrou com representação contra Valéria Bolsonaro, do PL, por declarações transfóbicas. Valéria afirmou que Erika Hilton não possui ‘vivência biológica’ para presidir a comissão.

O discurso discriminatório de Fabiana na Alesp gerou críticas da deputada Ediane Maria (PSOL), que argumentou a inadmissibilidade da negação da identidade de gênero de uma pessoa e sua exclusão simbólica de espaços públicos.

Os desdobramentos incluem a representação na Comissão de Ética da Alesp e a solicitação de investigação ao MP-SP. A polêmica remete ao debate sobre identidade de gênero e respeito à diversidade, sendo fundamental uma reflexão sobre o respeito e a igualdade entre os parlamentares.