Deputada Fabiana Bolsonaro se pinta de preto em ato polêmico

deputada-fabiana-bolsonaro-se-pinta-de-preto-em-ato-polemico

Deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) durante sessão nesta
quarta-feira (18) — Foto: Reprodução/Youtube/Alesp

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) se pintou de preto em plenário
durante discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), nesta
quarta-feira (18), prática conhecida como “blackface”, considerada racista por
remeter a estereótipos históricos usados para ridicularizar pessoas negras (veja mais abaixo).

Ao justificar o ato, ela afirmou que a encenação era uma forma de argumentar que
pessoas trans não são mulheres, mesmo que se maquiem, o que gerou reação
imediata entre colegas parlamentares e críticas nas redes sociais.

Durante a fala, a deputada iniciou dizendo que é uma mulher branca e passou a
indagar que, se decidir se maquiar se passando por uma pessoa negra, ela se
tornaria alguém que entende as causas dos negros. Foi neste momento que a
parlamentar passou a pintar sua pele durante o discurso.

Origem do “blackface”

Do inglês, black, “negro” e face, “rosto”, a prática consiste na pintura da pele
com tinta escura. Estipula-se que tenha iniciado por volta de 1830, nos Estados
Unidos, em meio ao período de transição entre escravidão e abolição da
escravatura.

“Após a abolição nos Estados Unidos, para poder criar um mecanismo de
subjetividade negativa sobre a população negra, passaram a usar estereótipos de
forma negativa para poder caracterizar a população negra como incapaz de
conviver com os direitos democráticos de liberdade. Ou seja, ela tinha
liberdade, mas não tinha cidadania”, explicou o professor da Unesp e ativista
antirracista Juarez Xavier, e
entrevista ao g1 Bauru.

Ao contrário do que a normalização da prática deu a entender por muitos anos, o
“blackface” não se trata apenas de pintar a pele de cor diferente.

No século 19, atores brancos usavam tinta para pintar os rostos de preto em
espetáculos humorísticos, se comportando de forma exagerada para ilustrar
comportamentos que os brancos associavam aos negros.

Reações iniciais

A deputada Ediane Maria (PSOL) fará uma representação na Comissão de Ética por
quebra de decoro e pedido de investigação no Ministério Público por racismo e
transfobia.

No contexto brasileiro, a prática se popularizou especialmente durante o
carnaval, quando pessoas brancas se fantasiam de “Nega Maluca” ou de “Índio”
usando o argumento de que estão fazendo uma homenagem. No entanto, a prática é
considerada desrespeitosa para essas culturas.

“Não é inocente a construção dessa imagem, ela tem consequência. Da destruição
dos corpos não normalizados, da segregação desses corpos e da negação da
cidadania. Essa estratégia foi utilizada em todas sociedades abertamente
racistas que brutalizaram as populações não brancas”, conta Juarez.

Consequências específicas

Ela completou dizendo que Érika Hilton tira o espaço de mulheres.

“[..] você, que é trans, tem a sua própria pauta para cuidar. Crie uma comissão
para cuidar das transsexuais do país. A gente viu agora essa semana, na Comissão
Federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Érika Hilton, foi colocada como
presidente da Comissão da Mulher e isso me interessa muito. Não porque ela, uma
trans, está como presidente. Mas porque uma trans está tirando o espaço de fala
de uma mulher, assim como várias outras estão tirando”.