Deputados e Bacellar indiciados: planilha apreendida pela PF lista influências políticas e pedidos controversos – Resultados surpreendentes relatados.

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Cargos, influências, áreas: planilha apreendida lista ‘o que têm’ deputados e ‘pedidos’ feitos a Bacellar, segundo a Polícia Federal

Polícia Federal destaca casos de 11 parlamentares. Bacellar, TH Joias e outras três pessoas foram indiciados pela Polícia Federal nesta sexta-feira (27).

Rodrigo Bacellar, TH Joias e mais 3 são indiciados pela PF por ligação com o CV.

Uma planilha apreendida no computador do chefe de gabinete do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), indiciado nesta sexta-feira (27), lista cargos atribuídos a parlamentares da Assembleia Legislativa (Alerj) na estrutura do governo estadual e pedidos que teriam sido feitos diretamente ao então presidente da Alerj – hoje afastado.

O arquivo lista nomes de deputados, com anotações sobre “o que tem” — como cargos, influências e áreas de comando — e o “pedido”, indicando interesses na estrutura administrativa e política do estado do Rio.

A PF destaca que os pedidos de 11 deputados “chamaram a atenção”. São eles:
Arthur Monteiro (União Brasil), Carlinhos BNH (PP), Célia Jordão (PL), Dr. Deodalto (PL), Douglas Ruas (PL), Felipinho Ravis (PP) – deputado licenciado, atualmente está na Secretaria das Cidades, Guilherme Delaroli (PL) – presidente interino da Alerj, Júlio Rocha (Agir), Rodrigo Amorim (União Brasil), Thiago Rangel (Avante) e Tia Ju (Republicanos).

O DE entrou em contato com os 11 deputados. Veja ao fim do texto as notas encaminhadas à reportagem.

De acordo com a planilha, o recém-anunciado pré-candidato do PL ao governo do estado, Douglas Ruas, teria indicações na Operação Segurança Presente e no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), além de pedidos de cargos no Detran e na Fundação Leão XIII, em São Gonçalo.

Em nota, disse que “jamais tratou desses assuntos com Rodrigo Bacellar, tampouco com qualquer integrante de sua assessoria”.

O hoje presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, também aparece na lista. Segundo o documento, seriam 15 cargos ligados à estrutura da Assembleia, além de solicitações em órgãos estaduais em Itaboraí e Rio Bonito, bases eleitorais do deputado.

À TV Globo, Delaroli disse que “considera ilegítima a inclusão de seu nome em planilha feita por terceiros, sem a sua participação” e que faz política “dentro da legalidade e respeitando as instituições”.

Líder do governo na Alerj, autointitulado membro da “Tropa de Bacellar”, Rodrigo Amorim também é mencionado com destaque, como uma demanda mais “sensível”, segundo a PF. A planilha aponta pedidos por “mais cargos” nas operações Segurança Presente e Lei Seca, três postos do Detran-RJ na capital e “cargos para compensar Ceperj”.

Para a Polícia Federal, a referência seria uma retribuição de Bacellar a Amorim por atuação no escândalo revelado em 2022 envolvendo a Fundação Ceperj, que tratou de pagamentos que somaram mais de R$ 200 milhões por meio de contratos sem transparência. O caso está em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral.

Procurado, o deputado Rodrigo Amorim afirmou que é seu dever institucional manter diálogo e sugerir políticas públicas. Segundo ele, qualquer alegação que vá além disso representa uma tentativa de criminalizar a política.

A PF destaca também que, entre os pedidos que chamaram atenção, está o controle de bases da Fundação Leão XIII em redutos eleitorais. O órgão do Governo do Rio voltado para a assistência social foi alvo, em 2019, de operação da Polícia Civil, da Controladoria-Geral do Estado (CGE-RJ) e do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Há também pedidos por cargos em outros órgãos, como o Poupa Tempo de Duque de Caxias, unidades da Faetec em Itaboraí e Queimados, o Detro em Campos e o Posto Avançado de Turismo em Angra.

Bacellar tinha lista de nomes para compor secretariado em possível governo. PF encontra adega com diversos rótulos de vinhos e rosto de Bacellar em imóvel ligado ao deputado.

BACELLAR, TH JOIAS E MAIS 3 INDICIADOS

Nesta sexta-feira (27), Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e outras três pessoas foram indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de vazar informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.

Também foram indiciados Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado. O DE tenta contato com a defesa dos acusados.

A defesa de TH Joias negou a participação dele em qualquer possibilidade de vazamento ou informações a qualquer organização criminosa do RJ.

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Judice Neto, que chegou a ser preso no curso das investigações, não foi indiciado. Segundo a Polícia Federal, a medida se deve às regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece procedimentos específicos para a responsabilização de magistrados.

Bacellar, que está licenciado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso no dia 3 de dezembro pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne. Ele é suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, em que o então deputado estadual TH Joias foi preso.

No dia 9 de dezembro Bacellar deixou a prisão, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a substituição da detenção por medidas cautelares.

TH Joias foi preso por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Ele assumiu o mandato em junho, mas deixou de ser deputado após sua prisão.

O QUE DIZEM OS DEPUTADOS

Nota de Doulgas Ruas:

“O secretário Douglas Ruas recebeu com surpresa as menções feitas recentemente. Afirma que jamais tratou desses assuntos com Rodrigo Bacellar, tampouco com qualquer integrante de sua assessoria.”

Nota de Guilherme Delaroli:

“O presidente em exercício da Alerj considera ilegítima a inclusão de seu nome em planilha feita por terceiros, sem a sua participação. O deputado Guilherme Delaroli faz política nas ruas, ouvindo as demandas do povo e levando ao governo e órgãos da administração, dentro da legalidade e respeitando as instituições.”

Nota de Tia Ju:

“Sobre a informação de que o nome da deputada Tia Ju foi citado em relatório da Polícia Federal a partir de uma planilha encontrada com o presidente afastado da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar, a deputada esclarece:

A deputada não teve qualquer participação na elaboração da referida planilha e jamais solicitou cargos ao deputado Rodrigo Bacellar, seja na Secretaria de Direitos Humanos, no Detran, na Fundação Leão XIII ou em qualquer outro órgão mencionado.

No que diz respeito ao Fórum Permanente de Desenvolvimento do Estado, é importante esclarecer que a deputada é a gestora do Fórum desde 2023, função que lhe foi atribuída institucionalmente. Cabe a ela a condução dos trabalhos, a coordenação das atividades e a organização da estrutura necessária para o funcionamento do Fórum. Portanto, os cargos vinculados ao Fórum são cargos técnicos e administrativos destinados ao regular funcionamento da estrutura sob sua gestão, dentro das atribuições institucionais que exerce.

Como a PF aponta, trata-se de uma referência relacionada ao Palácio da Guanabara, ou seja, algo que, em tese, configuraria apenas uma intenção do deputado afastado na eventual composição de um governo.

A deputada Tia Ju integra a Mesa Diretora da Alerj, foi eleita juntamente com o deputado Bacellar, e vê como absolutamente natural que seu nome seja lembrado em contextos políticos dessa natureza. Isso é legítimo, democrático e faz parte da dinâmica política na formação de equipes e ocupação de cargos públicos.

Não existe qualquer manobra escusa, nem irregularidade. Em nenhum momento a deputada foi contatada pelo deputado Rodrigo Bacellar para tratar de indicação de cargos, tampouco indicou qualquer nome.

Quanto à planilha mencionada, o que está claro é que não há qualquer referência a pedido formulado pela deputada. Trata-se de um documento produzido sem sua interferência, que tem sido objeto de especulação em torno de um fato que simplesmente não ocorreu.

A deputada reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.”

Nota de Rodrigo Amorim:

“Como integrante da base e atual líder do governo, é meu dever institucional manter o diálogo e participar efetivamente de ações do Executivo. É minha obrigação sugerir políticas públicas.

Nunca tive qualquer diálogo sobre cenário de posse de futuro governo, limitando a minha atuação como deputado da base do governo. Não há qualquer menção a minha participação em um novo governo.

Qualquer alegação além disso representa tentativa de criminalizar a atividade política, não havendo conhecimento por minha parte de qualquer prática ou narrativa diversa desse contexto.”

Nota de Júlio Rocha:

“Atuo em municípios de pequeno porte, onde a principal demanda que chega diariamente ao meu gabinete diz respeito à ampliação de oportunidades para colaborar com o desenvolvimento local. Nesse contexto, a solicitação de espaço político teve como único objetivo possibilitar que pessoas exerçam sua liderança, participem de ações, colaborem na solução de problemas e contribuam para ampliar a presença do Estado nessas regiões.

Trata-se de dever institucional do parlamentar promover o diálogo, fortalecer o interior e apoiar iniciativas que visem ao interesse público, ainda que nem todas as sugestões apresentadas venham a se concretizar.

Qualquer alegação que extrapole esses limites configura tentativa indevida de criminalização da atividade política. Reitero que inexiste, de minha parte, ciência ou participação em qualquer prática, conduta ou narrativa diversa daquela inserida no contexto acima exposto.”

Nota de Célia Jordão:

“A solicitação da instalação de um Posto Avançado do Batalhão de Turismo (BPtur) em Angra dos Reis, inaugurado em 2024, teve caráter estritamente institucional e com objetivo de trazer benefícios à cidade, que é referência em turismo no estado do Rio de Janeiro.

Solicitações semelhantes também foram feitas pela deputada Célia Jordão ao governo do estado e prontamente atendidas, como as obras de contenção de encostas na Vila do Abraão, na Ilha Grande, e a construção de unidades habitacionais na Monsuaba, bairro atingido pelas fortes chuvas em 2021.

Essas são demandas que chegam à parlamentar e cabem a ela encaminhar ao presidente da Casa Legislativa, governador do estado, ministros e até mesmo à Presidência da República pedido de solução. Tratam-se de políticas públicas voltadas exclusivamente ao interesse da população, e não de cunho pessoal.”

Nota de Carlinhos BNH:

“O deputado Carlinhos BNH não participou de qualquer discussão referente a cargos na administração pública estadual. A menção ao seu nome decorre de ato de terceiros, sem sua iniciativa ou concordância. Reitera que sua atuação em prol dos 92 municípios do Estado sempre ocorre dentro dos limites legais e institucionais.”

Nota Felipinho Ravis:

“A assessoria do deputado estadual Felipinho Ravis esclarece que o parlamentar não foi notificado oficialmente sobre o teor do relatório mencionado e reafirma que sua conduta pública é pautada pela transparência, pela ética e pelo estrito cumprimento da legalidade. É fundamental destacar que a citação de seu nome em documentos ou planilhas de terceiros constitui um registro unilateral, sobre o qual o deputado não possui controle ou responsabilidade direta.

A interlocução política para a indicação de quadros técnicos em órgãos do Estado e a gestão de demandas regionais na Alerj fazem parte do exercício legítimo da atividade parlamentar, visando sempre a eficiência do serviço público e o atendimento à população, não se confundindo, sob hipótese alguma, com práticas irregulares. O deputado Felipinho Ravis reitera sua confiança plena nas instituições e permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, mantendo o foco em seu compromisso com o Rio de Janeiro.”

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