BELO HORIZONTE (MG) — Obras raras de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, além de pratarias e livros históricos, sumiram do antigo Palácio das Mangabeiras sem que o governo apresente um inventário público detalhado. A Polícia Federal foi acionada nesta segunda-feira (6) para investigar o suposto desaparecimento e a deterioração do acervo, em uma denúncia que aponta possíveis crimes de ex-governador e do atual governador.
A notícia-crime foi protocolada pela deputada Bella Gonçalves (PT), com base em fiscalizações da Assembleia Legislativa. Em julho de 2026, parlamentares encontraram apenas cinco itens do mobiliário original no palácio projetado por Oscar Niemeyer. A investigação quer saber para onde foram centenas de peças, e o mistério gera um imbróglio que envolve o governo de MINAS GERAIS.
O biombo que escapou e a biblioteca que mudou de endereço
Uma das peças mais valiosas, um biombo de quatro metros de Emiliano Di Cavalcanti, foi localizada exposta no hall do Palácio da Liberdade desde abril. Já a coleção de livros da biblioteca do Palácio do Governo foi transferida para a Biblioteca Pública Estadual. Mas o paradeiro de pelo menos 294 peças retiradas do Palácio das Mangabeiras segue desconhecido — o governo nega que estejam perdidas, mas o acesso ao inventário é restrito a servidores autorizados. O Tribunal de Contas de Minas Gerais analisa o caso.
Obras de arte ‘craqueladas’ e o depoimento que virou denúncia
O próprio secretário estadual de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, admitiu em depoimento à Assembleia que, em 2020, encontrou 44 obras — incluindo nomes como Tarsila do Amaral — guardadas de forma inadequada pela Polícia Militar, cobertas apenas por tecidos. Ele relatou que o biombo de Di Cavalcanti “craquelou” e que “muitas obras” sofreram danos materiais durante a retirada e o armazenamento. Essas revelações embasaram a denúncia que pede uma perícia técnica nas peças danificadas.
O imbróglio dos inventários: quem viu o quê?
O governo de Minas afirma que todos os bens do acervo do Palácio das Mangabeiras no início da gestão atual, em 2019, estão cadastrados, inventariados e com localização registrada em sistemas oficiais. Diz que parte foi destinada a equipamentos públicos para preservação e exposição, e que os demais bens permanecem armazenados em instalações públicas com critérios técnicos de conservação. No entanto, a ausência de um inventário público detalhado alimenta as suspeitas. A Polícia Federal não se manifesta sobre investigações em andamento, mas o caso já é acompanhado pelo Tribunal de Contas.



