Conheça o livro que inspirou a série “Maria e o Cangaço”, com Isis Valverde
Produção nacional do Disney+ foi lançada nesta sexta-feira (4) e traz visão feminina sobre período do cangaço
“Maria e o Cangaço”, a nova série nacional do Disney+, foi lançada nesta sexta-feira (4) com Isis Valverde e Júlio Andrade nos papéis de Maria Bonita e Lampião. Apesar da obra ser ficcional, a produção foi inspirada em um livro biográfico que conta detalhes da personalidade nordestina.
“Maria Bonita: Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço”, de Adriana Negreiros, se baseia na história real de Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita e que foi a primeira mulher a integrar um grupo de cangaceiros. Ao contrário da maioria, ela era alfabetizada e ingressou no cangaço por opção.
Em “Maria e o Cangaço”, o foco da narrativa também é a Maria Bonita, interpretada por Isis Valverde, que compartilha os desafios de viver dividida entre a vida fora da lei e o desejo impossível de viver em família e tornar a maternidade uma realidade diária.
Em entrevista concedida à CNN, a jornalista diz que Maria Gomes de Oliveira e outras mulheres foram oprimidas no cangaço e, por isso, é errôneo romantizar o sofrimento como “valentia” e símbolo de empoderamento.
Após se envolver com Lampião e entrar para o cangaço, Maria Bonita viveu apenas até os 28 anos e foi vítima de um massacre ao lado dele. No entanto, seus feitos perduram até hoje.
Segundo a autora, as mulheres que eram inseridas no cangaço, acabavam sendo submetidas aos homens e aos seus códigos de conduta. Enquanto eles eram contemplados com “liberdades” dentro das regras, o sexo feminino tinha apenas obrigações. Em alguns cenários, o descumprimento delas poderia levar até mesmo à morte.
Apesar de todas as atrocidades, acredita-se que com a chegada das mulheres houve mudanças de comportamento, divisão de tarefas e diminuição no número de estupros.
Com o lançamento da série, Adriana concedeu uma segunda entrevista à CNN, onde mencionou que mesmo sendo um projeto de ficção, “Maria e o Cangaço” conseguiu ser fiel à história.
“Acho que a grande sacada é quando você consegue ser fiel à história a ponto de mesmo contar o que não aconteceu, mas que poderia perfeitamente ter acontecido, garantir verossimilhança. Eu acho que nesse sentido a série é muito bem-sucedida”, menciona.