Banheiro sujo, cozinha escondida e frango lavado: o que o cliente não percebe ao
comer fora
Nutricionista Julia Grosso, especialista em segurança dos alimentos, explica
detalhes de higiene e boas práticas que passam despercebidos e ajudam o cliente
a avaliar onde comer.
Baixada em Pauta: Julia Grosso, especialista em segurança alimentar, esteve no
programa [https://s03.video.glbimg.com/x240/14388118.jpg]
Baixada em Pauta: Julia Grosso, especialista em segurança alimentar, esteve no
programa
Segurança dos alimentos, fiscalização, boas práticas nas cozinhas e o que o
consumidor precisa observar antes de confiar no prato que chega à mesa. Esses
foram alguns dos temas debatidos no Podcast Baixada em Pauta, que recebeu a
nutricionista Julia Grosso, especialista em segurança dos alimentos e CEO da
VeriFood, empresa que assessora restaurantes e comércios.
Durante a conversa com os jornalistas Matheus Müller e Luiz Linna, Julia
explicou como funciona a rotina de auditoria sanitária dentro de restaurantes e
estabelecimentos que manipulam alimentos.
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Segundo ela, Santos tem um nível de fiscalização mais intenso que São Paulo e se
tornou referência na Baixada Santista pelo trabalho recorrente da Vigilância
Sanitária.
FISCALIZAÇÃO CONSTANTE EM SANTOS
Julia afirmou que, na prática, os restaurantes da região apresentam condições
consideradas adequadas e estão atentos às boas práticas. Para ela, a
fiscalização local é um dos motivos para os padrões de higiene.
Ela explicou que, em Santos, os fiscais atuam de forma constante e fazem visitas
de rotina, enquanto em São Paulo muitas fiscalizações só ocorrem após denúncia,
o que, segundo ela, faz diferença no nível de cuidado observado nos
estabelecimentos.
COMO FUNCIONA UMA AUDITORIA
A empresária explicou que o trabalho é uma espécie de “mini vigilância” semanal.
Ela e sua equipe visitam as cozinhas, verificam validade, estocagem, limpeza,
temperatura de alimentos, higiene dos funcionários e o cumprimento das
legislações municipal, estadual e federal.
Um dos exemplos citados foi o erro comum de lavar o frango cru
[https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/02/08/lavar-frango-cru-a-resposta-para-a-pergunta-que-divide-as-redes-sociais.ghtml],
que pode espalhar bactérias pela cozinha. Ela inclusive contou já ter pintado um
frango de azul para mostrar na prática os riscos.
“Falei (para a funcionária): ‘Lava’. Aí respinga a cozinha inteira de azul. Eu
disse: ‘Tá vendo? Então, tudo isso aqui (em azul) é bactéria do frango que voa
para a sua cozinha inteira’. E aí, o que você vai fazer aqui nessa bancada? Ela:
‘Ah, eu ia cortar alface’. Então: contaminação cruzada”.
1 de 2 Lavar o frango é um dos erros de higiene mais comuns (e perigosos),
segundo especialista — Foto: Getty Images via BBC
Lavar o frango é um dos erros de higiene mais comuns (e perigosos), segundo
especialista — Foto: Getty Images via BBC
O QUE O CONSUMIDOR DEVE OBSERVAR
A nutricionista orienta que o público pode e deve fazer observações básicas
antes de confiar no local em que pretende comer. Julia sugere verificar:
* limpeza de copos e talheres;
* asseio do atendente e uniforme;
* cheiro do ambiente;
* organização do salão;
* e, quando possível, uma espiada na cozinha.
“Uma dica que eu dou — e que eu faço — quando eu vou olhar o
banheiro, o
banheiro dos clientes… Já fui em um lugar aqui
em Santos em que eu entrei no
banheiro, não tinha papel para secar a mão, não tinha sabão e tinha um monte de
baratinha nos cantinhos do azulejo, no chão. Pensei assim: ‘Gente, se o banheiro
do cliente, que é quem traz dinheiro para o estabelecimento, tá desse jeito…
não quero imaginar a cozinha”
2 de 2 Imagem de banheiro; foto ilustrativa — Foto: Nuttawan Jayawan/Vecteezy
Imagem de banheiro; foto ilustrativa — Foto: Nuttawan Jayawan/Vecteezy
PEIXES, OVOS, TARTAR E ALERGIAS: ATENÇÃO REDOBRADA
Julia explicou que alimentos crus ou minimamente processados merecem ainda mais
cuidado. Entre os mais sensíveis estão pescados, tartar, ovos malpassados e
produtos com potencial de alergia cruzada.
Segundo ela, muitos de Santos também precisam de vistoria, inclusive motéis, pet shops e sex shops.
Ela explicou que qualquer produto que entre em contato direto com o corpo humano
precisa seguir normas de higiene e procedência.




