Desembargador aposentado preso por estuprar neta se entrega à polícia

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Desembargador aposentado do condenado por estuprar é preso após se entregar à polícia

A delegada Joyce Coelho, responsável pela conclusão do inquérito que levou à condenação do desembargador aposentado Rafael de Araújo Romano por estuprar a própria neta, afirmou que a decisão da Justiça representa uma ‘vitória coletiva contra a violência sexual’. O desembargador foi preso nesta sexta-feira (20), em Manaus, após se entregar à polícia.

Romano conduziu casos de grande repercussão envolvendo violência e exploração sexual infantojuvenil no Amazonas. Segundo apurado pelo DE, ele se entregou na Delegacia Geral. De acordo com as investigações, a vítima tinha apenas 7 anos de idade quando os abusos sexuais tiveram início.

A Justiça do Amazonas havia determinado a expedição de mandado de prisão contra o desembargador na quarta-feira (18), após o trânsito em julgado da sentença, quando não há mais possibilidade de recurso, e marca o início do cumprimento da pena.

Reações e repercussões

A autoridade policial, responsável à época pela Delegacia Especializada Em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), destaca que o caso rompeu paradigmas ao mostrar que a Justiça alcança todos. Na época, Joyce Coelho chefiava a Depca. Para ela, a condenação de um membro influente tem forte valor simbólico.

Ela destacou o impacto dos crimes na vítima, que sofreu pressão da própria família para não denunciar. A delegada lembrou que o inquérito foi iniciado por Juliana Tuma e concluído por ela, com o interrogatório do desembargador. Segundo Joyce, a condenação fortalece o combate à violência sexual e incentiva outras vítimas a denunciar.

Detalhes do caso e desdobramentos

Rafael Romano é avô paterno da vítima, que disse à polícia que os abusos começaram em 2009. As situações foram relatadas pela jovem em depoimento à Depca e os relatos foram incluídos na denúncia do Ministério Público do Amazonas. Segundo a vítima, o último caso ocorreu quando ela já estava com 14 anos, em 2016. Na época, ela disse que uma tia chegou a ver a situação, mas negou quando foi questionada sobre os abusos por ‘sentir vergonha’.

O caso veio à tona depois que a mãe denunciou o crime ao Ministério Público, em 2018. Na época, ela relatou à Rede Amazônica que soube da situação pela própria filha. Ela disse que visitava uma amiga em um hospital quando a filha decidiu revelar a situação.

Decisão judicial e posicionamento da defesa

Em nota, a defesa do desembargador aposentado Rafael de Araújo Romano manifestou preocupação diante da questão jurídica. Segundo os advogados, ainda há recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). O texto também destaca o estado de saúde de Romano, de 80 anos, que sofreu um acidente vascular cerebral recentemente e apresenta complicações neurológicas e cardíacas. A defesa diz confiar nas instituições do Judiciário e afirma que está adotando medidas jurídicas para reverter a decisão.