Felipão, Mazaropi e Paulo Nunes se despedem do Estádio Olímpico.
Quem passa pelo bairro Azenha, em Porto Alegre, cruza com uma construção que ocupa quarteirões, com muros pichados, em processo de demolição e com mato, que dão a impressão de um lugar já não mais habitado.
Mas ali já foi a casa do Grêmio, palco de glórias, vivo no imaginário de milhões de amantes do futebol. Desocupado desde 2014, o Estádio Olímpico Monumental aparenta estar abandonado, mas ainda abriga vida.
Despedidas emocionantes
Apesar de não receber mais jogos desde a inauguração da Arena do Grêmio, o “Velho Casarão” segue sob responsabilidade do clube e conta com vigilância terceirizada 24 horas por dia.
O que acontece dentro dos portões, no entanto, vai além da segurança patrimonial. O espaço passou a ser utilizado para atividades que, embora incomuns para um estádio de futebol, mantêm o local em funcionamento.
Em outros momentos, o estádio já serviu como garagem de ônibus para a Carris (operadora de transporte coletivo de Porto Alegre) e ponto de coleta de doações para vítimas das enchentes no estado.
Local para homenagens póstumas
O Olímpico também se tornou um local de despedidas. O ge apurou que o clube é procurado por familiares de torcedores falecidos que desejam espalhar as cinzas no terreno.
Os pedidos são analisados individualmente, e em alguns casos, autorizados. Quando aprovadas, as cerimônias são discretas: um parente ou amigo entra no pátio do estádio e larga as cinzas próximo a uma árvore, ao lado de onde ficava o antigo campo suplementar.
O espaço passou a receber cinzas de apaixonados que queriam uma despedida relacionada ao clube do coração. Segundo o ge apurou, as homenagens ocorreram com frequência nos últimos anos no Olímpico.
Visitação e saudosismo
O saudosismo é outro elemento que mantém o Olímpico vivo. Torcedores tentam acessar o local para registrar imagens ou levar uma lembrança. A entrada no estádio é geralmente vetada por questões de segurança.
Mesmo sem jogos, o Olímpico Monumental continua sendo um ponto de encontro entre memória e realidade. O que antes era palco de grandes conquistas, hoje abriga histórias silenciosas, que mantêm viva a relação entre o torcedor e o clube, mesmo que em ruínas.



