Dia da Mulher: conheça histórias de mulheres empreendedoras que começaram do zero
O Dia da Mulher surgiu a partir de movimentos no início do século XX, organizados por mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho, salários dignos e outros direitos fundamentais. Cem anos depois, mulheres empreendedoras têm investido em seus sonhos e começaram seus negócios do zero. Com muito esforço e dedicação conseguiram destaque em diversas áreas. Conheça algumas dessas histórias inspiradoras.
O DE conversou com mulheres que venceram o medo e os desafios para seguir em busca de sonhos. São mães, empresárias empreendedoras da moda, da beleza e dos sabores. Exemplos de quem venceu e que também podem ser inspiração para quem deseja dar o primeiro passo.
DIA DA BELEZA
Naiane Alves, proprietária do Na.Salon, completou 18 anos e fica em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. Hoje, com 33 anos, ela conta que começou a trabalhar nesse ramo com apenas 14 anos, atendendo na área de sua casa, e pediu para a mãe, de presente de 15 anos, um curso técnico de cabeleireira. “Fiz e iniciei os atendimentos de forma simples e com poucos recursos, mas com a meta de entregar os melhores resultados”, ela conta.
Segundo Naiane, em 2013 ela se graduou em estética e cosmética pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e seguiu fazendo especialização na parte capilar, que ela descreve como sua paixão. Ela conta ainda que, no começo, empreendia sem nenhuma noção de gestão financeira e, aos poucos, foi se organizando, vendo resultados e entendendo o que era empreender de fato.
Naiane contou que, durante o crescimento do salão, ela se casou, foi mãe do Noah, hoje com 7 anos, conquistou sonhos e investiu ano a ano em seu negócio. Segundo ela, há quatro anos se separou e precisou se dividir entre a maternidade e o empreendedorismo, época em que se reinventou. “Maior que o medo e as dificuldades ao empreender sendo mulher e mãe, é o propósito que cada uma de nós carregamos”, afirmou.
MODA E IDENTIDADE
Brenda Raylla Cassiano tem 27 anos e é formada em pedagogia. Antes de se tornar empresária, chegou a trabalhar como professora. Há sete anos ela tem uma loja de roupas, mas, antes disso, ela disse que a fé em Deus a guiou para começar no ramo das vendas.
Segundo a empresária, ela começou como sacoleira e foi crescendo e aprendendo com os erros. Brenda conta que, por ser mulher e jovem, muitas vezes não foi levada a sério no início, mas escolheu continuar lutando pelo que acreditava. “Quando uma mulher cresce, ela abre caminho para outras crescerem também. Isso é transformação social”, afirma.
Brenda diz que, no começo, o maior desafio foi o medo e a instabilidade financeira. Ela lembra que empreender é arriscar e exige constância diariamente, abrir mão da segurança para acreditar em algo maior. Os desafios continuam para manter padrão, inovar, lidar com concorrência e gerir as demandas da loja.
SÍMBOLOS DE AMOR E AUTOESTIMA
Susane Rocha Alves, de 40 anos, é empresária do ramo de joias em prata há seis anos. Ela conta que, antes de começar sua loja, foi supervisora de uma grande marca de cosméticos e, quando a pandemia veio e o medo do desemprego surgiu, resolveu começar seu próprio negócio. Então, usou o dinheiro do seu acerto para comprar peças e começar a oferecer para as clientes.
Ela é mãe solo e o nome da sua loja é uma homenagem aos dois filhos. Com as vendas aumentando pelas redes sociais, ela sentiu que precisava de um espaço maior e aí surgiu a loja física. Ela destaca a identificação de outras mulheres.
“Grande parte das clientes de joias são mulheres. Quando elas veem outras mulheres criando, vendendo e liderando, a identificação é imediata. Isso gera confiança e proximidade com a marca”, afirmou.
CAFÉS ESPECIAIS
Gabriella Vianna Zanella, formada em administração, é empresária do ramo de cafeterias. Ela conta que tudo começou há um ano e seis meses, depois de uma feira de franquias em que ela participou em São Paulo. Hoje, ela tem uma equipe formada apenas por mulheres.
Segundo Gabriella, por não ter sócios, ela precisou assumir todas as funções no início, como atendimento, estoque, compras, organização e gestão de equipe. Ela destaca que, apesar do período desafiador, essa experiência de viver cada etapa do processo a fez ver como tudo funciona na prática, e isso fez toda a diferença.
Gabriella contou que, no começo, seu desafio principal foi aprender a gerenciar estoque e acertar o período das compras que, segundo ela, é fundamental no ramo alimentício. Hoje, ela precisa manter a loja em constante movimento e buscar novos clientes diariamente, ao mesmo tempo que fortalece o relacionamento com quem já é cliente.
ESTÉTICA E CUIDADO
A doutora Francielly Rosa Fernandes é dentista desde 2012 e há seis anos trabalha exclusivamente na área da estética com harmonização facial. Ela conta que hoje tem um consultório próprio em Goiânia, onde realiza os atendimentos, além de atender pacientes no interior do estado com agenda pré-programada.
Segundo Francielly, entre os desafios da sua profissão está o marketing barato, onde alguns profissionais divulgam preços e não os valores reais do seu trabalho. Ela destaca que a estética vai além do procedimento em si. “Mulheres têm uma sensibilidade maior para a estética, pois ela é o cuidado, a atenção; há todo um contexto por trás de uma consulta”, destaca.
PROPÓSITO E TRANSFORMAÇÃO
A doutora Milena Hirota, de 42 anos, atua na área da estética avançada, com foco em harmonização orofacial. Sua especialidade é em protocolos personalizados de rejuvenescimento e contorno. Milena contou que a estética surgiu em sua vida como propósito, não apenas como profissão.
Segundo Milena, por ser mulher, no início enfrentou o desafio de precisar provar sua capacidade constantemente, e seu maior desafio é conseguir se posicionar em um mercado altamente competitivo para construir uma marca forte.
“Muitas vezes a mulher precisa trabalhar o dobro para ser reconhecida da mesma forma. Além disso, conciliar carreira, maternidade e vida pessoal exige equilíbrio e força. Mas cada obstáculo me fortaleceu e me fez ter ainda mais certeza da minha capacidade”, afirmou.
AUTOESTIMA E SUPERAÇÃO
A cabeleireira especializada em produção de penteados e maquiagem de noivas, Diolange Lopes Carneiro, tem 15 anos de profissão e atende suas clientes em Anápolis. Ela disse que começou a trabalhar como manicure e depois como assistente em um salão da cidade, mas, para que pudesse ficar mais próxima dos três filhos, resolveu abrir o próprio salão.
Diolange contou que precisou recomeçar várias vezes: primeiro, depois que perdeu tudo por causa de um sócio; depois, ela e a filha, Anneliese Carneiro, abriram um ateliê em casa, mas, por causa da pandemia, precisaram fechar as portas. Um tempo depois, passaram a trabalhar no espaço de um amigo, mas novamente pararam por causa de um acidente com a filha.
“Hoje estamos retomando os atendimentos após 4 anos do acidente dela”, contou Diolange.
Entre as dificuldades enfrentadas durante sua trajetória, Diolange destacou que a aceitação não era muito boa por ser mãe solo; apesar disso, ela conta que não desistiu de buscar seus sonhos. “Hoje minha maior motivação são meus três filhos: Anneliese, Moisés e Davi. E o amor que tenho em poder, de alguma forma, cuidar do próximo; isso me dá vida”, afirma.
Segundo a Diolange, o ramo de trabalho que ela escolheu toca em um ponto crucial de toda mulher: a autoestima. Por isso, ela deixa como incentivo para outras mulheres que nunca desistam.



