O memorando assinado pelo governador goiano Ronaldo Caiado com o governo dos Estados Unidos na semana passada durante fórum em São Paulo provocou incômodo em Brasília, por suposta antecipação sem definição de uma nova política nacional para o setor.
O documento prevê apoio a pesquisas, capacitação técnica, levantamentos geológicos e ambiente regulatório competitivo em Goiás, sem invadir competências da União, segundo Erik Figueiredo, diretor do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB) do estado.
O diretor afirmou que o objetivo é estruturar uma política de desenvolvimento para que a riqueza mineral gere impacto direto nas regiões produtoras, questionando se o foco deve ser na exportação de minério bruto ou na agregação de valor dentro do estado.
Figueiredo garantiu que os dados geológicos compartilhados serão públicos ao término dos estudos, ressaltando que o projeto visa preparar Goiás para os desafios socioeconômicos da expansão da mineração, com financiamento internacional e a participação de Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul.
Para o diretor, o acordo busca agregar valor ao setor mineral, avançando em etapas como a separação de elementos de terras raras e a produção de bens industriais mais complexos, enfatizando a divisão de responsabilidades entre os entes federativos na mineração.
O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, avalia que o debate sobre minerais críticos e terras-raras no Brasil ainda está em construção e carece de uma estratégia clara, destacando financiamento e definição de preços como aspectos fundamentais para viabilizar investimentos no setor.
Erik Figueiredo ressaltou que Goiás também possui parcerias semelhantes com Japão e negocia com a Coreia do Sul, defendendo que o estado busca atrair investimentos em curso e estruturar a cadeia produtiva local para gerar valor e impacto socioeconômico nas regiões produtoras.
Em meio a críticas e debates sobre o acordo, Figueiredo argumenta que Goiás tem agido em diferentes áreas, fundamentando a importância de uma solução técnica sustentada politicamente para avançar, respeitando as competências dos entes federativos na mineração.




