Disputa por apoio de Lula no Maranhão gera tensão entre aliados de Dino e governador

disputa-por-apoio-de-lula-no-maranhao-gera-tensao-entre-aliados-de-dino-e-governador

A disputa pelo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Maranhão agravou a tensão entre o governador Carlos Brandão (sem partido) e o grupo político ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, de quem o atual chefe do Executivo foi vice e assumiu a cadeira. Aliado do petista, Brandão tenta emplacar o sobrinho Orleans Brandão como sucessor, enquanto os apoiadores do magistrado buscam consolidar a candidatura do atual vice Felipe Camarão (PT). O diretório estadual do PT afirma que uma decisão sobre quem será o nome da sigla na corrida pelo Palácio dos Leões será de Lula, mas admite que o cenário preferencial seria uma candidatura de terceira via, que unisse as alas rompidas. O presidente defende que Brandão opte por uma candidatura ao Senado, o que obrigaria o governador a deixar o cargo em abril. Entretanto, Brandão não deseja dar visibilidade a Camarão e planeja utilizar a capilaridade no estado para buscar votos para o sobrinho, que é secretário de Assuntos Municipalistas no governo do tio e preside o MDB no Maranhão. Já Camarão tem trabalhado por um projeto de candidatura própria, com pretensão de unir a esquerda e centro em torno do seu nome. Internamente, há um cenário de indefinição no diretório estadual petista. A sigla considera apoiar o sucessor escolhido pelo governador, endossar a candidatura de Camarão ou apostar numa aproximação dos dois grupos, vista pela sigla como a melhor das opções, mas avaliada como improvável tanto pela ala de Brandão quanto a de Dino, após o rompimento no final de 2025. A ruptura ganhou força após o vazamento de gravações de conversas nas quais aliados de Dino cobravam do grupo de Brandão o cumprimento de acordos firmados durante a eleição de 2024. À época, uma das razões do atrito envolvia o preenchimento de duas vagas no Tribunal de Contas do estado (TCE), impedidas por duas ações em tramitação no STF sob relatoria do magistrado. O racha chegou a ser criticado pelo presidente Lula, que à época, em entrevista à TV Imirante, pediu que os dois campos tivessem “responsabilidade” e evitassem “brigar dentro de casa”. O petista também disse que o rompimento poderia “dar aos adversários a chance de ganhar”. Outra possibilidade na mesa é o apoio do PT ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), caso uma aliança nacional com a sigla de Kassab pela reeleição de Lula seja concretizada. A candidatura configuraria uma oposição aos planos de Brandão, mas é vista como improvável após o anúncio da pretensão do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de disputar o Planalto pelo PSD. Brandão afirma a aliados que uma conversa com Lula deve ocorrer nos próximos dias para que a situação seja discutida. Interlocutores avaliam que o petista “não abdicaria de uma parceria sólida com o governador já consolidada para apoiar uma liderança do PT sem capilaridade eleitoral” e dizem ter sido de Camarão a decisão política pelo distanciamento com o atual governador. Para um interlocutor próximo a Brandão, o grupo de Camarão tenta emplacar uma narrativa de que há uma disputa por um apoio de Lula ou que um distanciamento do presidente com Brandão. Para esse aliado, Camarão tem pouca força política eleitoral local e que os movimentos de Lula mostram alinhamento e parceria com o governador. Já Camarão diz ter apoio da presidência nacional do PT e afirma dialogar também com outros partidos “que não embarcam no projeto oligárquico” de Brandão. O petista alega que a união entre os grupos de Dino e o do governador “ainda é possível”, desde que Brandão “cumpra o que foi acordado em 2022”. — Reiterei ao governador na semana passada o que havia sido combinado. A proposta dele sair ao Senado e eu assumir o governo, sendo candidato à reeleição em outubro. E debater sob a liderança de Lula quem ocupará a vaga de vice e quem será o outro nome para senador. Mas, em qualquer tentativa de falar sobre isso, Brandão diz que a candidatura do sobrinho é irreversível. O principal entreve para a negociação está nele — diz Camarão. Segundo o petista, a proposta recebida foi a de renunciar ao cargo de vice quando Brandão se colocasse ao Senado e disputar uma vaga na Câmara.

Box de Notícias Centralizado

🔔 Receba as notícias do Diário do Estado no Telegram e no WhatsApp