Tragédia na estrada rural. Em Divino de São Lourenço (ES) — Uma ciclista de 44 anos, identificada como Andréia Silva de Souza Tomé, morreu atropelada por um carro quando pedalava pela rodovia ES-185, ligação vital entre Divino de São Lourenço e a vizinha Ibitirama, na noite de segunda-feira (14). O acidente chamou atenção de moradores e das autoridades locais, destacando um drama que envolve questões históricas de segurança viária no interior do Espírito Santo.
De acordo com a Polícia Militar, o atropelamento mobilizou equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu/192), mas apesar dos esforços, Andréia não resistiu aos ferimentos e teve óbito constatado ainda no local. A tragédia escancarou mais uma vez as deficiências de sinalização e iluminação em trechos rurais do Sul capixaba, onde acidentes graves ainda são recorrentes, segundo entidades de trânsito regionais.
No momento do acidente, o condutor do veículo, um jovem de 25 anos que dirigia um Chevrolet GM Kadett GL, informou aos policiais que avistou a ciclista quando já estava muito próximo, tentou desviar, mas não conseguiu evitar a colisão frontal. O motorista se submeteu ao teste do bafômetro, que deu resultado negativo para ingestão de álcool. A investigação inicial verificou que o automóvel estava com o licenciamento em dia, afastando indícios de irregularidade na documentação.
Como foi a dinâmica do acidente em Divino de São Lourenço?
O grave atropelamento ocorreu em uma via bastante utilizada por trabalhadores rurais e pequenos agricultores que dependem da bicicleta como principal meio de transporte em Divino de São Lourenço e Ibitirama. Segundo a Polícia Militar, a rodovia ES-185 apresenta curvas acentuadas e áreas de baixa visibilidade, principalmente à noite, tornando-se perigosa para ciclistas e pedestres.
Em depoimento formal à polícia, o motorista afirmou que a iluminação limitada e a ausência de acostamento favoreceram o desenlace da tragédia. A vítima trafegava pelo canto da pista, em um trecho onde não havia faixa exclusiva para bicicletas. O local do acidente, segundo moradores, já registrou outros episódios semelhantes, embora este seja o primeiro caso com vítima fatal no ano de 2024. Acidentes graves envolvendo ciclistas em áreas rurais do Espírito Santo não são raros e costumam sensibilizar toda a comunidade.
Após o choque, equipes especializadas da Polícia Científica foram acionadas para perícia e coleta de vestígios. O corpo de Andréia foi encaminhado à Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim, onde passará por necropsia antes de ser liberado para a família. O caso reforça pedidos antigos por melhorias nas condições de tráfego entre as cidades e integração de medidas para proteção dos usuários vulneráveis da via.
Como a justiça do Espírito Santo tratou o caso até agora?
Conforme estipula o protocolo da Justiça capixaba, o motorista foi conduzido para prestar depoimento na Delegacia Regional de Alegre. De acordo com a Polícia Civil, por não haver indícios de embriaguez, fuga do local ou dolo, o condutor foi ouvido e liberado após as oitivas. A investigação segue sob responsabilidade da Delegacia de Polícia de Divino de São Lourenço, que aguarda laudos periciais para concluir a análise sobre eventual imprudência ou falhas estruturais que possam ter contribuído para o acidente.
Segundo dados extraídos do portal da transparência do estado, nos últimos 5 anos, Divino de São Lourenço registrou ao menos 8 atropelamentos em vias rurais, sendo a maioria deles sem vítimas fatais. Especialistas envolvidos na etapa de perícia esclareceram que fatores como falta de sinalização horizontal e vertical pesam nas estatísticas da região.
Moradores e familiares de Andréia denunciaram publicamente o estado precário das rodovias do entorno e cobraram celeridade da justiça e do poder público para investigar responsabilidades e prevenir novas tragédias. Nos arredores da ES-185, manifestações espontâneas em redes sociais reverberaram mensagens de luto e protesto.
Por que o caso gerou comoção em Divino de São Lourenço e Ibitirama?
O clima de consternação tomou conta das duas cidades envolvidas na tragédia, especialmente porque a rotina pacata da população frequentemente se vê ameaçada por acidentes evitáveis. A vítima, Andréia, era conhecida pela vizinhança por sua participação ativa em movimentos comunitários e pelo hábito de utilizar a bicicleta, meio de transporte comum na zona rural do Sul do Espírito Santo.
Com menos de 5 mil habitantes, Divino de São Lourenço não está acostumada a lidar com ocorrências cotidianas de tragédias no trânsito. Autoridades do município relataram que esta morte causou indignação não apenas pelo contexto brutal, mas também pela frustração de antigos pedidos para sinalização e monitoramento das estradas da região nunca atendidos de maneira eficaz.
A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que lideranças locais pretendem usar o ocorrido como ponto de partida para reinvindicar obras de segurança viária junto ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES), responsável pela manutenção da ES-185. Conforme dados compilados pelo Ministério da Justiça, o Espírito Santo tem mantido um histórico estável de acidentes fatais em estradas estaduais, mas concentra maior risco nas regiões rurais, onde campanhas educativas e melhorias físicas ainda avançam lentamente.
O que dizem as autoridades sobre acidentes em estradas rurais do Espírito Santo?
De acordo com o especialista em segurança viária consultado pela nossa redação, acidentes como o registrado em Divino de São Lourenço refletem a negligência histórica do poder público com rotas secundárias. Segundo análise da Polícia Militar, faltam tanto infraestrutura adequada quanto políticas educativas e mecanismos de fiscalização eficiente, situação também observada em outras cidades do interior capixaba.
O DER-ES, órgão estadual responsável por cerca de 8 mil quilômetros de malha viária, afirma que está em curso um plano de revitalização das principais estradas rurais, com previsão de investimentos já para o próximo semestre. No entanto, comunidades como a de Divino de São Lourenço aguardam há anos por melhorias pontuais como instalação de redutores de velocidade, acostamento, faixas reflexivas e iluminação pública.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia a urgência de políticas públicas voltadas para a prevenção de acidentes com ciclistas e pedestres em áreas rurais, cenário menos visível à grande mídia, mas que afeta duramente pequenas cidades espalhadas pelo Espírito Santo. Segundo levantamentos do Observatório Nacional de Segurança Viária, quase 60% dos óbitos no trânsito em rodovias estaduais do centro-sul capixaba envolvem usuários não motorizados, como foi o caso recente que abalou a população local.
Quais os próximos passos da investigação policial em Divino de São Lourenço?
Com a conclusão da necropsia e o envio de laudo pericial da Polícia Científica, a Delegacia de Divino de São Lourenço deve determinar se o motorista responderá por homicídio culposo de trânsito, conforme o artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro. Fontes ligadas à investigação confiaram à reportagem que detalhes como eventual excesso de velocidade ou distração do condutor estão sendo apurados minuciosamente.
As investigações também consideram depoimentos de testemunhas que trafegavam pelo trecho no momento do acidente. O delegado responsável informou que imagens de estabelecimentos próximos à rodovia serão analisadas para elucidar a dinâmica da colisão. A expectativa é de que um relatório detalhado seja encaminhado ao Ministério Público em até 30 dias, prazo comum em ocorrências de trânsito deste tipo.
O clima permanece tenso entre familiares e moradores que exigem justiça e medidas preventivas para evitar que tragédias como essa se repitam. Integrantes da Câmara Municipal de Divino de São Lourenço e lideranças da comunidade rural organizaram reuniões emergenciais para formalizar novos pedidos de infraestrutura junto ao governo do Estado.
A equipe do Diário do Estado esteve presente no local do acidente, ouviu moradores da via ES-185 e familiares da vítima, que compartilharam relatos emocionados e reforçaram a necessidade de atenção urgente do poder público à segurança rodoviária regional. O Diário do Estado continuará acompanhando o caso de perto e atualizará as informações assim que novos desdobramentos forem confirmados pela polícia e pelos órgãos judiciários competentes.


