O dólar recuou no 1º trimestre de 2025, mas incertezas podem limitar sua valorização. A apreciação recente da moeda brasileira está em dúvida devido aos riscos externos, ruídos políticos e incertezas sobre o fluxo cambial. Depois de atingir R$ 6,30 no final de 2024, o dólar à vista caiu mais de 6% em 2025 e agora está abaixo de R$ 5,80. Mesmo com a valorização do real, analistas alertam que fatores externos incertos, instabilidade fiscal e comportamento dos fluxos cambiais podem limitar a continuidade desse movimento.
Um ambiente externo incerto, com possibilidade de desaceleração da economia americana devido à guerra comercial, juntamente com os ruídos políticos e fiscais internos, pode limitar o interesse pela moeda brasileira. Além disso, há dúvidas sobre o fluxo cambial, mesmo com o início do embarque da safra agrícola, e sobre a continuidade do desmonte de posições compradas em dólar por investidores estrangeiros em derivativos cambiais.
O recuo do dólar no primeiro trimestre está relacionado, principalmente, ao cenário internacional. No início do mandato, Donald Trump adotou uma postura menos agressiva em relação às tarifas comerciais do que o esperado. A tese do excepcionalismo americano, com grandes entradas de capital nos Estados Unidos, foi questionada após a queda das “big techs” com a ascensão da empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek.
A diversificação das carteiras nos primeiros meses do ano fez com que moedas emergentes, incluindo o real, se fortalecessem. No entanto, a incerteza sobre a guerra comercial e seus impactos pode levar a uma busca por segurança, prejudicando as moedas emergentes. Os ruídos políticos e fiscais no Brasil também contribuem para esse cenário de incerteza em relação à valoração do real frente ao dólar.
O desmonte global de posições em dólar e a queda das bolsas em Nova York no primeiro trimestre indicam uma busca por ativos descontados pelos investidores. A redução das posições compradas em dólar por investidores estrangeiros em derivativos cambiais tem impactado o real positivamente, mesmo com saídas líquidas de dólares do país. A melhora do fluxo cambial também pode ser um fator importante para a continuidade da valorização do real.
Os ruídos políticos e fiscais no Brasil ao longo de março trazem ainda mais incertezas para o cenário econômico. Questões como a reforma da renda, medidas populistas e a neutralidade fiscal são pontos de preocupação. O retorno dos ruídos políticos e fiscais pode afetar tanto a bolsa quanto o real, que estavam em recuperação no final de 2024, mas ainda dependem de avanços nos fundamentos do país para uma valorização mais consistente.
Por fim, a variável Selic também é um ponto de atenção para a valorização do real. O ciclo de aperto monetário do Banco Central e a manutenção da taxa Selic em níveis elevados podem trazer certa proteção à moeda brasileira. No entanto, as incertezas políticas e econômicas ainda rondam o cenário, o que pode restringir a valorização do real frente ao dólar. A expectativa é que o dólar possa retornar ao nível de R$ 6,00 até o final do ano.