O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em sintonia com a valorização da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, movimento que ganhou força após a decisão sobre juros do Federal Reserve, com investidores no Brasil à espera do anúncio do Banco Central sobre a Selic.
Em mais um dia de avanço dos preços do petróleo no exterior, em função da guerra no Oriente Médio, o dólar à vista fechou a sessão no Brasil com alta de 0,83%, aos R$ 5,2436. No ano, a divisa passou a registrar queda de 4,47%. Às 17h04, o dólar futuro para abril – o mais líquido no mercado brasileiro – subia 0,81% na B3, aos R$ 5,2575.
Até o início da tarde, o dólar alternou altas e baixas ante o real, com investidores à espera das decisões sobre juros, mas após o anúncio do Fed, às 15h, a moeda norte-americana se firmou no campo positivo, renovando máximas até o fechamento.
O Federal Reserve anunciou a manutenção de sua taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75% e indicou que segue projetando apenas um corte de juros em 2026, a despeito da inflação mais alta. Em entrevista após o anúncio, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que as implicações da guerra no Oriente Médio são incertas, mas que os preços mais altos de energia no curto prazo vão impulsionar a inflação.
Após a decisão do Fed, os rendimentos dos Treasuries exibiram altas firmes, em especial entre os contratos de curto prazo, com investidores elevando as apostas de que a instituição não cortará juros em junho – mês que era visto como o do possível início do ciclo de baixa.
“A comunicação (do Fed) foi interpretada como mais ‘hawkish’ (dura)… com o mercado passando a ver dezembro como o momento mais provável para o primeiro corte de juros pelo Fed”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “Como resultado, o dólar acelerou o movimento de alta no exterior, com o DXY (índice do dólar) renovando máximas próximas de 100 pontos, com o real acompanhando o movimento”, acrescentou.
Investidores aguardam agora pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a Selic. O anúncio sairá após as 18h30. A precificação majoritária nos ativos é de corte de 25 pontos-base da Selic, mas nos últimos dias cresceram as apostas de que o BC pode optar pela manutenção da taxa básica em 15%, tendo em vista o impacto inflacionário trazido pela guerra no Oriente Médio.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
Dados divulgados nesta quarta-feira pelo BC mostraram que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$4,605 bilhões em março até o dia 13 – período que abarca as duas primeiras semanas da guerra no Oriente Médio. No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril.



