Obra de Gilberto Gil embasa musical de teatro inspirado na letra imagética de ‘Domingo no parque’
Alan Rocha (à esquerda), Rebeca Jamir e Guilherme Silva interpretam os personagens centrais da música de Gilberto Gil — Foto: Priscila Prade / Divulgação
Uma das noites mais memoráveis da era dos festivais foi a final do III Festival de Música Popular Brasileira, que apresentou composições que se tornaram padrões do cancioneiro nacional. Uma delas foi “Domingo no parque”, vice-campeã da competição, defendida pelo autor da música, Gilberto Gil, com o grupo Os Mutantes. Com uma narrativa cinematográfica, a letra imagética desenrola a tragédia amorosa que envolve o triângulo formado por João, José e Juliana.
Passados 49 anos desde o famoso festival, “Domingo no parque” não virou um filme, mas sim um musical de teatro escrito e dirigido por Alexandre Reinecke. Em cartaz desde ontem, 3 de janeiro, na cidade de São Paulo (SP), onde ficará até 8 de fevereiro no Teatro Claro Mais, “Domingo no parque – Um musical brasileiro” tem trilha sonora composta por músicas de Gilberto Gil.
Além da música-título “Domingo no parque”, são apresentadas músicas como “Roda” (1966), “Preciso aprender a só ser” (1973), “Pessoa nefasta” (1984) e “Cálice” (1973), esta última uma parceria de Gilberto com Chico Buarque. Um trio formado por Bruno Di Lullo (baixo), Daniel Conceição (bateria e percussão) e Mano Jotta (violão, guitarra e cavaquinho) toca ao vivo essa trilha, com arranjos e regências de Gabe Fabbri.
O samba “Chiclete com banana” (Gordurinha e Almira Castilho, 1958), gravada por Gilberto Gil, também faz parte da trilha sonora desse musical brasileiro, ao lado de temas de outros compositores, mantendo sempre como referência a obra de Gil.
O espetáculo idealizado por Alexandre Reinecke desde 1995 tem sua trama ambientada na cidade natal de Gil, Salvador (BA). A história se passa no início da década de 1970, sob a repressão da ditadura militar estabelecida no Brasil em 1964.
Os personagens principais da letra de “Domingo no parque”, o feirante José (interpretado por Alan Rocha), o operário da construção civil João (interpretado por Guilherme Silva) e Juliana (interpretada por Rebeca Jamir), são envolvidos em uma trama que mistura amor, fé (abordada sob o prisma das religiões de matriz afro-brasileira), morte, política e traição.




