Uma análise da Receita Federal identificou que o patrimônio de João Carlos Mansur, fundador da Reag, cresceu significativamente 73 vezes entre 2019 e 2023, levantando suspeitas sobre a origem desses ganhos. A investigação revelou que em 2023, o empresário declarou uma receita de R$ 570 milhões em um único ano, sem que houvesse uma fonte de renda justificando esse aumento exponencial. A Reag está sob escrutínio da Polícia Federal devido a possíveis ligações com fraudes financeiras e com o crime organizado em São Paulo.
Mansur foi alvo de uma operação de busca e apreensão no início do ano, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. Mesmo não comentando sobre as acusações, sua defesa afirmou que não forneceria declarações à imprensa. Com experiência em empresas de auditoria, Mansur ocupava um cargo de conselheiro no Palmeiras e de gestor financeiro no estádio do Corinthians, antes de pedir licença. A análise da Receita Federal, compartilhada com a Polícia Federal, sugere que Mansur pode ter sido utilizado como ‘laranja’ em operações ilícitas.
Em 2019, os bens declarados por Mansur totalizavam R$ 10 milhões, valor que saltou para R$ 737 milhões em 2023. A Receita apontou uma manobra suspeita no Imposto de Renda envolvendo uma empresa de Mansur, a Lurix Participações, cujo aumento de capital não condizia com os lucros e dividendos declarados. A análise fiscal destacou que os valores declarados como lucros e dividendos de Mansur eram fantasiosos, não tendo origem nas atividades das empresas.
Os dados revelaram que Mansur teria recebido valores muito acima dos lucros reais das empresas supostas pagadoras. A Receita Federal concluiu que todo o patrimônio declarado pelo empresário era fictício e sugeriu que os fundos estavam sendo usados para ocultar patrimônio ilícito. O relatório apontou que uma fintech associada ao crime organizado fez um aporte significativo em uma empresa controlada pelos filhos de Mansur, evidenciando uma possível rota de lavagem de dinheiro.
A gestão de fundos pela Reag também foi investigada, sugerindo que os valores pertencentes a terceiros estavam sendo ocultados em investimentos financeiros complexos. A Receita Federal indicou que Mansur desempenhava um papel fundamental na ocultação dos valores depositados na fintech, impossibilitando sua rastreabilidade. As descobertas levantaram questionamentos sobre a transparência financeira do empresário e sua possível ligação com atividades ilegais e criminosas.




