Economistas avaliam falta de eficácia das medidas do governo para conter alta nos preços dos alimentos

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Economistas ouvidos pela CNN avaliam que as medidas anunciadas pelo governo
federal para tentar conter a alta no preço dos alimentos não terão efeito real
na inflação dos alimentos, que vem impactando diretamente a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), serão ineficientes.

A principal medida anunciada pelo governo é a isenção do imposto de importação
para uma série de produtos como carne, café, açúcar, milho, óleo de girassol, azeite de oliva, sardinha, biscoitos e massas alimentícias. No entanto, essa redução é vista como ineficaz, uma vez que o Brasil já é um grande produtor e importa pouco desses alimentos, com exceção do azeite. Segundo Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, “Não me parece que essas medidas vão trazer nenhum alívio significativo, uma vez que importamos muito pouco desses alimentos”.

O economista também analisa individualmente alguns produtos, como o café, que tem seu preço definido nas grandes bolsas de valores e não regionalmente, o que faz com que as ações do governo não tenham impacto direto sobre ele. Além disso, segundo Serigati, a carne não está cara por falta de oferta, uma vez que o Brasil está batendo recordes de produção. Portanto, importar carne não seria uma solução viável, mesmo com a isenção do imposto de importação.

Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos, compartilha da opinião de que as medidas do governo não terão efeitos práticos significativos. Ele acredita que, para o consumidor comum, as mudanças não surtirão efeito, uma vez que os principais produtos de consumo já são produzidos pelo Brasil.

O governo anunciou ainda o fortalecimento dos estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) como medida para conter a alta dos preços dos alimentos. A Conab compra diretamente dos produtores, formando estoques públicos que são vendidos no mercado quando os preços sobem. No entanto, segundo Carla Beni, economista e professora da FGV, essas ações são lentas e demoram a surtir efeito, já que a compra é realizada em momentos de baixa e a venda em momentos de alta.

O peso da alta dos preços dos alimentos é ainda maior para a população de baixa renda, que sofre mais com a inflação. Portanto, a ineficácia das medidas do governo para baratear alimentos pode impactar negativamente esses grupos mais vulneráveis. Diante disso, a falta de efetividade das ações governamentais para conter a inflação dos alimentos levanta preocupações sobre a situação econômica do país e a capacidade do governo de lidar com a crise alimentar.

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