Eldorado do Sul (RS): Santuário com 300 animais resgatados atingido por temporal

Eldorado do Sul (RS): Santuário com 300 animais resgatados atingido por temporal

Destruição silenciosa. Em Eldorado do Sul (RS) — Um temporal com forte granizo e ventos que atingiram a cidade gerou uma onda de destruição no Santuário Voz Animal, responsável pelo cuidado de cerca de 300 cães resgatados de situações de maus-tratos. Conforme relato da fundadora Fernanda Ellwanger de Lima, a tempestade que começou no final de semana destelhou galpões, derrubou árvores sobre as instalações e danificou as cercas protetoras, obrigando voluntários a realizar reparos emergenciais para garantir a segurança dos animais assustados.

O abrigo, referência na proteção animal do Rio Grande do Sul, está localizado na região metropolitana de Porto Alegre e vinha acumulando dificuldades recentes: além do temporal, enfrentou incêndios em parte da estrutura em 2025 e apoiou as operações de resgate durante as enchentes históricas de 2024. Fernanda relatou que, além dos prejuízos materiais, toda a rotina dos animais foi abalada, pois a força do vento causou pânico entre cães e cuidadores.

Segundo a fundadora do santuário, a destruição das coberturas deixou animais vulneráveis à chuva vigorosa e ao frio que acometeu o município desde a noite do desastre climático. A necessidade imediata é reconstruir telhados, repor cobertores e materiais de proteção, além de buscar apoio da comunidade. Desde já, toda ajuda é solicitada e formas de doação foram detalhadas pelo abrigo para manutenção e reconstrução.

Por que o temporal em Eldorado do Sul (RS) trouxe prejuízos tão graves ao santuário?

De acordo com autoridades locais, o temporal que atingiu Eldorado do Sul no último sábado foi classificado entre os mais intensos registrados neste início de inverno. Rajadas de vento ultrapassaram os 90 km/h, com chuvas acima de 70 mm em poucas horas e granizo de tamanho incomum, segundo informe da Defesa Civil estadual. Esses fatores contribuíram para a vulnerabilidade de estruturas rurais, como galpões, canis e enxovais do abrigo, agravando a situação dos animais acolhidos.

A fundadora Fernanda Ellwanger de Lima confirmou que, durante o pior do temporal, funcionários dedicados à vigilância noturna pouco conseguiram fazer. “O vento chegou de todos os lados e o granizo parecia pedra. Mesmo dentro dos canis, todas as cobertas molharam. Os cães estavam realmente apavorados”, disse. Para ela, este foi o episódio climático mais destrutivo já registrado na história do santuário, criado especialmente para garantir proteção a vítimas de violência e abandono.

Relatórios do próprio município do Rio Grande do Sul confirmam que mais de 700 famílias foram desalojadas pelo temporal na cidade e arredores, cenário semelhante ao do abrigo de animais. O impacto social e ambiental desse tipo de evento reforça, segundo a Secretaria Municipal da Agricultura e Meio Ambiente, a fragilidade da região diante de extremos climáticos, especialmente em áreas habitadas ou de acolhimento animal.

Qual a rotina do Santuário Voz Animal e como a comunidade pode ajudar no Rio Grande do Sul?

O Santuário Voz Animal é notório por abrigar, em média, entre 250 e 320 cães resgatados de maus-tratos, abandono ou situações de rua. O local, mantido por doações, conta com uma equipe reduzida de cuidadores e depende fortemente da colaboração da sociedade para arcar com custos de alimentação, medicamentos, limpeza e reformas de estrutura. Após o temporal, a principal necessidade passou a ser a reposição de telhas, telas de proteção, cobertas e até mesmo ração — já que parte significativa do estoque foi perdida durante a disputa com o clima.

Para ampliar a mobilização, a direção do abrigo disponibilizou formas de contato através do site oficial santuariovozanimal.com.br, onde são aceitas doações para a reconstrução. A coordenadora Fernanda reforça que a ação coletiva é imprescindível: “Nós nos envolvemos em todas as frentes de socorro, especialmente nas enchentes recentes, mesmo em meio à nossa própria limitação. Agora, é o Santuário que precisa de socorro imediato”, declarou à equipe do Diário do Estado.

Além disso, a demanda por voluntários cresceu após o desastre. A instituição recebe, todos os dias, pessoas que desejam ajudar na limpeza, reconstrução de cercas ou simplesmente oferecer companhia e conforto aos animais traumatizados pelo episódio. Há uma preocupação especial com cães idosos ou doentes, que estão particularmente vulneráveis após o desabamento parcial das instalações. Os impactos sociais também são sentidos por comunidades vizinhas, já que muitas famílias que perderam residências, segundo a prefeitura, procuraram o abrigo em busca de orientação para seus próprios animais desabrigados.

O que diz o histórico de eventos extremos e de proteção animal em Eldorado do Sul (RS)?

A região metropolitana de Porto Alegre registrou, nos últimos anos, aumento significativo de episódios climáticos severos, com destaque para enchentes históricas e tempestades intensas. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia, o volume de chuvas em 2024 já ultrapassou a média dos anos anteriores, agravando situações de risco para pessoas, propriedades e áreas rurais. Eldorado do Sul, como outros municípios à beira do Guaíba, enfrenta desafios especiais devido ao relevo e à proximidade de grandes canais de drenagem.

Os abrigos de animais do RS, incluindo o Santuário Voz Animal, vêm atuando à frente de operações de resgate em enchentes, destaque para a atuação emergencial no início de maio, quando resgataram centenas de animais ilhados ou em situação de risco. No entanto, a vulnerabilidade estrutural dificulta ainda mais as operações nessas ocasiões, segundo avaliação do Conselho Regional de Medicina Veterinária. Mesmo com recursos escassos e trabalho voluntário, ONGs da região relatam aumento da demanda por novos abrigos desde os eventos de chuva intensa.

Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia não apenas a importância de políticas públicas específicas para apoio de abrigos de animais, como também a necessidade de um plano estrutural de prevenção a desastres em áreas rurais expostas. Além disso, destaca-se a solidariedade da população gaúcha, que constantemente mobiliza campanhas de arrecadação diante de desastres climáticos recorrentes no estado.

Como estão sendo feitos os reparos e qual o papel do poder público após o temporal em Eldorado do Sul (RS)?

Imediatamente após a tempestade, a direção do Santuário Voz Animal acionou voluntários para socorrer os animais, retirar entulhos e abrir clareiras onde árvores caíram. Segundo Fernanda, “foram necessários mutirões para refazer rapidamente os telhados dos espaços mais críticos e garantir abrigo provisório para os cães, especialmente os grupos mais frágeis”. Além de arrecadar doações para materiais, o abrigo orienta a população a se envolver diretamente nas atividades de limpeza e reconstrução.

De acordo com o especialista em segurança pública consultado pela nossa redação, “a manutenção das estruturas rurais diante de episódios extremos depende de suporte técnico e financeiro do poder público”. Na manhã de segunda-feira, equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente visitaram o local para avaliar danos e levantar necessidades urgentes, prometendo encaminhar pedidos ao governo estadual para inclusão do abrigo no plano de resposta emergencial do município.

A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que, mesmo diante da emergência, algumas áreas do santuário seguem interditadas pela Defesa Civil até a estabilização das estruturas. A prefeitura de Eldorado do Sul confirmou a decretação de situação de emergência municipal após o evento climático, o que pode viabilizar repasses estaduais ou federais. O santuário integra agora lista de prioridades para auxílio de reconstrução junto às comunidades de bairro Santa Rita e Jardim Universitário, também fortemente atingidas.

O cenário dos últimos dias reacende o debate sobre a destinação de políticas específicas para ONGs de proteção animal. Segundo o portal da transparência do Governo do RS, apenas 8% dos municípios dispõem de fundos permanentes de apoio a abrigos, o que limita respostas rápidas diante de eventos extremos. A articulação entre setor público, privado e sociedade civil, destaca a reportagem, será crucial para garantir a sobrevivência e o bem-estar de animais resgatados no contexto gaúcho.

O Diário do Estado esteve no Santuário Voz Animal nesta segunda-feira, conversou com voluntários envolvidos no socorro e acompanhou a movimentação de doações. Cuidadores reforçam que, apesar da destruição, a solidariedade da comunidade é fundamental para a continuidade do trabalho. Seguimos acompanhando de perto o processo de reconstrução e os desdobramentos do caso em Eldorado do Sul, à espera de soluções conjuntas entre abrigo, população e poder público.

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