Os militares que estão no poder em Mianmar estão anunciando sua alegada vitória nas eleições recentes que foram fortemente contestadas. Este é o primeiro processo eleitoral que o país realizou desde o golpe militar de 2021, que resultou no controle do Exército sobre o governo. O Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento, apoiado pelos militares, afirmou ter vencido a eleição, enquanto partidos de oposição foram proibidos de concorrer, e áreas afetadas por conflitos armados foram excluídas do processo de votação. O relator especial da ONU para os direitos humanos em Mianmar, Tom Andrews, fez um apelo à comunidade internacional para que rejeite o resultado, citando relatos de votação sob coerção.
Apesar das críticas e da controvérsia em torno do processo eleitoral, o chefe da junta militar de Mianmar rejeitou as preocupações estrangeiras e defendeu a legitimidade do pleito. Min Aung Hlaing, líder da junta militar, afirmou que a perspectiva da comunidade internacional não era relevante e que o voto do povo era o único reconhecimento necessário. Os militares argumentam que a eleição foi livre de coerção e teve o respaldo da população, com uma participação de mais de 13,14 milhões de eleitores, totalizando uma taxa de participação de mais de 54%.
As eleições em Mianmar foram realizadas em três fases, com a primeira ocorrendo em dezembro do ano passado, seguida pela segunda em janeiro deste ano e a terceira em janeiro, culminando no anúncio da suposta vitória do partido apoiado pelos militares. A situação política no país permanece tensa, com a comunidade internacional observando de perto os desdobramentos e os desafios enfrentados pela democracia e pelos direitos humanos em meio à presença militar dominante. Tom Andrews, da ONU, continua a apelar por uma rejeição clara e inequívoca do resultado das eleições contestadas.




