Eleições em Portugal: Extrema direita pode ganhar força na Europa

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Eleições em Portugal podem ampliar a força populista da extrema direita na Europa. Com recorde de candidatos, a disputa deve ir para o segundo turno em fevereiro. Portugal está realizando uma eleição presidencial neste domingo (18) que se destaca pela forte fragmentação política e pela possibilidade de um segundo turno. O alto número de candidatos torna improvável que algum deles alcance mais de 50% dos votos na primeira volta, o que levará os dois mais votados a uma nova disputa em 8 de fevereiro.

A votação conta com mais de 11 milhões de eleitores aptos a participar. A maior parte dos resultados é esperada até o final do dia. O vencedor substituirá Marcelo Rebelo de Sousa, que deixa o cargo após cumprir o limite constitucional de dois mandatos consecutivos de cinco anos. Esta eleição presidencial em Portugal é a que possui o maior número de candidatos da história recente do país, o que reflete um ambiente político instável. O país realizou sua terceira eleição legislativa em apenas três anos em maio de 2025, considerado o período mais turbulento das últimas décadas. A instabilidade institucional e as dificuldades econômicas influenciam diretamente o comportamento do eleitorado, que demonstra preocupação crescente com o custo de vida, a crise habitacional e o futuro dos jovens.

Entre os candidatos mais bem posicionados nas sondagens está André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega. O crescimento do apoio à legenda fez com que o Chega se tornasse o segundo maior partido do Parlamento português no ano passado, apenas seis anos após sua fundação. Ventura tem centrado sua campanha em críticas à imigração, tema que ganhou destaque com o aumento da presença de trabalhadores estrangeiros no país. Durante o período eleitoral, o líder do Chega espalhou outdoors com frases polêmicas sobre imigração, sendo posteriormente forçado a retirá-los por decisão judicial.

Outros candidatos fortes na disputa presidencial são ligados aos dois principais partidos que se alternam no poder há cerca de cinco décadas em Portugal. O cenário político é marcado por Luís Marques Mendes do Partido Social Democrata e António José Seguro do campo de centro-esquerda. Outro nome competitivo é o contra-almirante reformado Henrique Gouveia e Melo, candidato independente que ganhou destaque nacional ao liderar a campanha de vacinação contra a COVID-19. Cotrim de Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, também é um nome a ser observado nas sondagens, ampliando as opções para os eleitores.

Em termos institucionais, o próximo presidente de Portugal enfrentará desafios significativos. Embora Ventura tenha tentado centralizar a questão da imigração na campanha, pesquisas indicam que o eleitorado está mais preocupado com temas econômicos e sociais. Em Portugal, o presidente exerce principalmente um papel simbólico, sem poder executivo direto, mas ainda detém atribuições relevantes, como o direito de veto e a capacidade de dissolver o Legislativo, um instrumento conhecido na política portuguesa como a “bomba atômica”.

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