A série Emergência Radioativa, da Netflix, revisita o acidente com césio-137 em Goiânia, em 1987, e usa histórias reais como base para a construção de parte dos personagens da trama. Inspirada em fatos, a produção mistura figuras históricas com personagens ficcionais.
Na vida real, Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira encontraram uma cápsula de metal em uma clínica de radioterapia abandonada na Avenida Paranaíba. Dias depois, venderam o material a Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho.
Na série, os catadores aparecem logo nos primeiros minutos. Devair é retratado como Enevildo, interpretado por Bukassa Kabengele. Encantado pelo brilho azul da substância, ele levou o material para casa, contribuindo para a disseminação da radiação.
Césio-137: veja fotos dos personagens reais que inspiraram série – destaque galeria
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Emergência Radioativa: Roberto Santos e Wagner Mota Pereira foram os catadores que encontraram máquina com Césio
Emergência Radioativa Devair é retratado como Enevildo, interpretado por Bukassa Kabengele
Emergência Radioativa entre os casos mais marcantes está o da menina Leide das Neves, de seis anos, na série, a personagem Celeste representa esse episódio
Emergência Radioativa Antônia, interpretada por Ana Costa, foi inspirada em Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair
Emergência Radioativa Tuca Andrada dá vida ao governador do estado de Goiás que, na época do acidente, tinha Henrique Santillo no cargo
Fechar modal. Metrópoles
O protagonista Márcio, vivido por Johnny Massaro, representa diferentes cientistas que atuaram no combate à contaminação. Entre eles está o físico Walter Mendes Ferreira, um dos primeiros a identificar a radiação e fundamental para o controle do acidente.
Walter, que posteriormente integrou a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), utilizou detectores para medir os níveis de radiação, o que permitiu a adoção de medidas emergenciais e o tratamento adequado das vítimas.
Subtítulo 1
Entre os casos mais marcantes está o da menina Leide das Neves, de 6 anos. Após ter contato com o césio — substância que emitia um brilho azulado —, ela ingeriu partículas radioativas ao se alimentar com as mãos contaminadas e morreu semanas depois. Na série, a personagem Celeste é inspirada na história da criança.
Outra figura retratada é Antônia, interpretada por Ana Costa, inspirada em Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair. Ela foi uma das primeiras a suspeitar do perigo e levou o material às autoridades, mas também acabou contaminada. Maria Gabriela morreu em outubro de 1987, no mesmo dia que Leide.
Subtítulo 2
A produção também incorpora figuras públicas. O ator Tuca Andrada interpreta o então governador de Goiás, Henrique Santillo. Profissionais essenciais no controle da crise também aparecem. José de Júlio Rozental, da CNEN, inspira o personagem Benny Orenstein, vivido por Paulo Gorgulho.
Outros nomes importantes são lembrados, como Nelson Valverde, médico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e referência no atendimento de radiopatologia, e Alexandre Rodrigues, responsável pela coordenação da assistência emergencial aos contaminados. Na série, esses profissionais são representados pelos médicos Eduardo (Antônio Sabóia) e Loureiro (Luiz Bertazzo).
Subtítulo 3
No auge da crise, a médica Maria Paula Curado teve papel decisivo ao propor o isolamento de pacientes no Estádio Olímpico de Goiânia. Na série, ela inspira a personagem Paula, especialista em contaminação ambiental interpretada por Clarissa Kiste.
A atuação da médica foi lembrada por Walter Mendes 37 anos após a tragédia. “Com o auxílio de todo o Estado, o entendimento do então governador de Goiás, Henrique Santillo, essa mulher, médica audaciosa, merece o nosso agradecimento”, declarou em solenidade na Câmara dos Deputados.


