Empresa apaga postagem com dados pessoais de estudante vítima de assédio

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Após quase uma semana, empresa apaga postagem com dados pessoais de estudante que denunciou assédio em ônibus

Jovem de 25 anos relatou, que, durante viagem de SP ao Rio, acordou com a mão de um passageiro sobre a sua perna e percebeu que ele estava com o zíper aberto e o pênis exposto.

Modelo é assediada, denuncia e tem dados expostos por empresa prestadora do serviço

Após quase uma semana, a empresa de ônibus Nova Itapemirim apagou da internet a publicação que continha os dados pessoais de uma estudante de 25 anos que diz ter sofrido assédio sexual durante uma viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro. Na postagem, informações como nome dos pais, endereço e telefone da jovem foram expostos.

Na semana passada, a estudante de psicologia Raquel Possu relatou, que, durante o trajeto, acordou com a mão do passageiro que viajava ao seu lado sobre a sua perna e percebeu que o homem estava com o zíper aberto e o pênis exposto.

Ela registrou boletim de ocorrência por importunação sexual assim que chegou no Rio da viagem, no dia 25 de março, e denunciou o caso em sua rede social dias depois, gerando forte repercussão.

A empresa, então, fez uma postagem em sua rede social na noite de sexta (28), em que expôs todos os dados da jovem, acrescentando ainda que, ao analisar imagens da câmera de segurança do ônibus, não tinha identificado “nenhuma ocorrência anormal durante a viagem”.

Apesar dos apelos da estudante, a postagem com a documentação que exibia as suas informações pessoais só foi removida do perfil da Nova Itapemirim na quinta (3) por volta das 22h.

A defesa de Raquel tinha até entrado na Justiça solicitando a remoção do conteúdo, mas a retirada foi feita antes que houvesse uma manifestação judicial. Mesmo assim, a defesa segue com o pedido de indenização por danos morais e responsabilização pela divulgação indevida de documento considerado de caráter sigiloso.

Outra dificuldade enfrentada pela defesa da jovem foi em relação à obtenção das imagens da câmera de segurança do ônibus, que só foram repassadas também na quinta (3). Ainda no ônibus, a estudante tinha pedido a filmagem ao motorista. Depois, foi solicitado também à empresa, que informou apenas que havia encaminhado o vídeo para a delegacia no Rio de Janeiro, onde o caso foi registrado.

Diante dessa recusa, a defesa, então, entrou com outro processo na Justiça, que também corre na 7ª Vara Cível de São Paulo, pedindo as imagens. O envio aconteceu só na quinta (3).

A acusação de importunação sexual segue sendo investigada pela 4ª DP de Presidente Vargas, no Rio.

Em nota enviada ao DE nesta semana, a Nova Itapemirim disse que, após rigorosa apuração, não constatou ato de importunação e que “preza pelo acolhimento e dignidade de cada passageiro, e seguirá colaborando para o total esclarecimento do caso, mas com responsabilidade”. A empresa de ônibus ressaltou ainda que “repudia veementemente qualquer acusação infundada e manifesta seu total compromisso com a verdade e o respeito aos seus clientes.”

No vídeo em que a estudante faz a denúncia, a empresa já tinha publicado um comentário em criticou a exposição do caso alegando que teria como objetivo “comprometer a imagem e a reputação da empresa”.

Abaixo, leia a íntegra da nota enviada pela Nova Itapemirim em 1º de abril:

“A Nova Itapemirim – Suzantur reitera seu compromisso com a verdade, o respeito e a segurança de todos os passageiros.

Assim que descobrimos através de uma de nossas publicações comerciais que tinha sido feito da apresentando nossa frota na cidade de Fortaleza (CE), a Sra Raquel Possu hospedou a sua postagem da Sra Raquel Possu nessa mesma nossa publicação.

Nesse momento, a empresa iniciou uma rigorosa apuração através do nosso comitê de crise em que foram analisandos mais de 6 horas de imagens sem identificar qualquer irregularidade.

Em todo o material comprobatório que inclui as gravações, não se constatou sequer aparente ato de importunação, e todos os materiais foram disponibilizados as autoridades competentes e isso está claro e evidente nos materiais disponibilizados a justiça, que com recursos periciais farão as devidas constatações.

Como o suposto caso envolvia dois clientes, sendo a primeira reclamante e o segundo o suposto denunciado, é inerente toda e qualquer verificação ser minuciosamente analisado para que a Nova Itapemirim não seja conivente, mas que também não seja infratora e venha causar mal à índole, humanidade e bem-estar de nenhum de seus clientes, pois não cabe a nós esse poder.

A empresa reafirma que preza pelo acolhimento e dignidade de cada passageiro, e seguirá colaborando para o total esclarecimento do caso, mas com responsabilidade. A Sra Raquel Possu, recebeu toda assistência necessária e cabível desde o momento da interação com nosso motorista, que ocorreu somente após o ônibus encostar na parada Graal Alemão em Queluz (SP), onde prontamente ela foi conduzida e se pôs a falar com os policiais da PRF ali presentes.

Como a Sra Raquel, questionada pelas autoridades não soube identificar quem seria o cliente, retornou ao seu local, na sequência todos os clientes subiram, inclusive o Sr Jeferson, o ônibus já com todas as luzes acesa do salão, iniciou-se a contagem dos clientes e logo o motorista sinalou discretamente a Sra Raquel para não constranger a ambos os clientes, e a realocou na poltrona 49 no piso inferior no serviço Leito Cama, onde seguiu em segurança até a cidade de destino.

Ao chegar no Rio de Janeiro, como a viatura da Polícia Civil já estava presente na plataforma, todos desceram, e a Sra Raquel Possu perguntou ao motorista se ele saberia dizer quem era o passageiro que havia sentado ao lado dela. O Motorista sinalizou e os policiais o abordaram e foram todos conduzidos a 4° Delegacia do Rio de Janeiro, onde inclusive todos os materiais comprobatórios físicos, analíticos, e vídeos ja foram entregues e protocolados sob o número 001/2025 – Comissária de Polícia Civil – desde então.

Importante frisar que, toda atitude suspeita, é sim tratada com seriedade e treinamento pelos nossos motoristas de forma rigorosa, onde o equilíbrio e a análise do ambiente também é parte do treinamento, pois uma atitude mal pensada poderia levar a algo mais gravoso e de agressão sem ser de fato dado causa ou responsabilidade. Por isso não é simplesmente “chamar polícia, alegar assédio, prender, punir, e a razão estar somente em quem faz a denúncia”.

No ônibus havia 27 clientes e em sua maioria mulheres. O Cuidado e responsabilidade se estende sempre a todos. O Sr Jeferson, inserido neste cenário, se dispôs imediatamente a autoridade policial de forma colaborativa, para que pudesse ser elucidado qualquer ruído de comunicação.

Cabe ressaltar,que o mesmo, sendo homossexual, conforme alegado em seu depoimento, e comprovado no contexto da análise das imagens, estava em posição desconfortável em sua poltrona, demonstrando sonolência, ao prostrar-se em posição contrária à Sra Raquel, impossibilitando qualquer chance de interação.

Ainda assim, a Sra Raquel não parou para de atacar a imagem e a empresa ITAPEMIRIM nas redes sociais como Instagram, TikTok, Imprensa e tudo que ela destina seu tempo, fazendo uma corrente orquestrada onde os seus seguidores vem de maneira frenética e demasiada espalhando discurso de ódio, com ameaças de incendiarem ônibus da ITAPEMIRIM, de que não somos uma empresa segura para viajar, entre tantos outros absurdos, além dos vídeos produzidos pela equipe de marketing da mesma ser de boa qualidade e com edições a nível profissional.

É DE SE PENSAR, QUAL OBJETIVO DE ATACAR UMA EMPRESA E NÃO SEU SUPOSTO “ASSEDIADOR” se ela teria todos os dados, e um advogado constituído para tal? Não cabe a ITAPEMIRIM entrar em nenhuma esfera que não seja a que ela sempre teve, treinar, capacitar, e promover viagens com segurança, pois nosso compromisso é com a verdade e a integridade de nossos clientes desde o primeiro até os mais de 2 milhões ja transportados.

Por fim, empresa zela por todos os seus passageiros, colaboradores e sua missão com a sociedade, atenta de forma justa, imparcial, e com amplo compromisso com a verdade”.

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