Empresário de Franca, SP, é suspeito de sumir com sacas de café avaliadas em R$132 mi

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Empresário de Franca, SP, é suspeito de sumir com sacas de café avaliadas em R$ 132 milhões

Elvis Vilhena Faleiros é presidente da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (MG). Pelo menos 180 cafeicultores de São Paulo e Minas Gerais foram lesados.

Polícia procura por empresário de Franca, SP, suspeito de causar prejuízo milionário [https://s02.video.glbimg.com/x240/14238689.jpg]

Pelo menos 30 produtores rurais procuraram a polícia para denunciar o empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), por sumir com 21 mil sacas de café que estavam armazenadas nos barracões da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), da qual ele é presidente.

Segundo a polícia, o número total de vítimas do empresário pode chegar a 180. O prejuízo é de, pelo menos, R$ 132 milhões.

Além de produtores de Ibiraci (MG), onde fica a sede da cooperativa, há cafeicultores de Franca, Cristais Paulista (SP), Claraval (MG) e Cássia (MG).

Faleiros teve a prisão decretada pela Justiça, mas está foragido. Ele e dois diretores da Cocapil tiveram os bens penhorados.

À EPTV, afiliada da TV Globo, o delegado de Ibiraci, Estevam Ferreira, disse que os relatos das vítimas são bem parecidos. Segundo ele, o inquérito policial deve ser finalizado até esta sexta-feira (9), mas outras pessoas que também foram lesadas pelo empresário ainda podem fazer a denúncia.

“Todas têm a mesma história para contar, que é que depositaram a confiança na armazenagem do café na Cocapil e da noite pro dia esse café não estava mais lá quando eles precisaram.”

A fraude começou a ser descoberta em agosto do ano passado, quando alguns produtores procuraram a cooperativa para a retirada de algumas sacas, mas não tinha o café onde deveria estar armazenado.

“É uma conduta de altíssima gravidade, houve um desfalque econômico para a cidade. Não é uma coisa irrelevante, um furto pequeno, então [o pedido de prisão] é uma necessidade de resposta condizente com a agressão à ordem pública que foi gerada”, diz o delegado.

Procurado pela reportagem, o advogado Márcio Cunha, que representa Faleiros, disse que o rombo na cooperativa se deu por causa de oscilações financeiras do mercado cafeeeiro e explicou que o empresário deseja ressarcir o prejuízo às vítimas.

“O objetivo é saldar os produtores. Esse é o objetivo maior. E o senhor Elvis está buscando meios financeiros para arcar com todos os cafés depositados.”

Ainda segundo o delegado Estevam Ferreira, a Polícia Civil ouviu dois diretores da Cocapil, que alegaram problemas financeiros na cooperativa para o desvio das sacas dos produtores.

“Eles relataram que a saúde financeira da cooperativa veio se agravando a partir de 2021, quando houve um incremento no preço do café e preços de travas, que foram feitas anteriormente, ficaram insustentáveis de serem cumpridas. Isso causou um abalo nas finanças da empresa que foi se arrastando até esse ponto de o Elvis, que era o presidente, optar por se apropriar do café dos produtores para quitar essas dívidas. Essa é a alegação deles.”

O advogado de Faleiros confirmou a crise na cooperativa e disse que os diretores esperavam recuperar a produção, o que, segundo ele, não ocorreu.

“A intenção da cooperativa, e acreditava-se que a produção seria melhor, não ocorreu essa melhora e ocorreu uma grande falta de entrega de café para estoque na própria cooperativa, o que gerou ainda mais esse saldo. Nós tivemos não só geada a partir de 2020, mas uma seca muito grande a partir de 2021, que prejudicou ainda mais essas negociações.”

O presidente da cooperativa é o único que teve a prisão decretada até o momento. A defesa disse que já entrou com um pedido de habeas corpus na Justiça, mas ainda não foi julgado por conta do recesso judicial.

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