Empresários condenados por desvio de R$ 2,5 mi de tratamento de menina com câncer: prolongaram sofrimento por 3 meses

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“Prolongou sofrimento por 3 meses”, diz juíza em sentença que condenou empresários por desvio de R$ 2,5 milhões de menina com câncer no Paraná

Réus desviaram valor que seria usado na compra dos medicamentos de Yasmin, de 12 anos. Ela está em cuidados paliativos, em Cascavel, no oeste do estado.

Justiça condena empresários por estelionato no caso Yasmin

DE condenar dois empresários por estelionato no caso do desvio de R$ 2,5 milhões destinados ao tratamento de câncer da menina Yasmin, de 12 anos, em Cascavel, no oeste do Paraná, a juíza destacou na sentença que a fraude causou “prolongou sofrimento por três meses” e atrasou o tratamento.

Na decisão, a magistrada afirmou que a falta do medicamento retirou da criança a chance de receber um tratamento menos invasivo e mais adequado ao quadro clínico. Esse fator foi considerado como agravante na dosimetria da pena aplicada aos réus.

Foram condenados Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux, responsáveis pela compra da medicação. As penas somam quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão em regime inicialmente fechado. Eles estão presos desde agosto do ano passado. Um terceiro denunciado foi absolvido.

Em 2024, a Justiça determinou que o governo do Paraná custeasse um medicamento chamado Danyelza, que deveria ser importado para o tratamento de Yasmin, diagnosticada com neuroblastoma, um tipo agressivo de câncer. O valor foi liberado, mas a empresa contratada para a importação não entregou a medicação conforme previsto.

Segundo a sentença, os réus usaram a reputação de suas empresas para ganhar a confiança das vítimas e se aproveitaram da estrutura pública para obter vantagem indevida.

Segundo a decisão, os empresários continuaram repassando informações falsas sobre a importação do remédio, mantendo a família e os demais envolvidos em erro. Para a juíza, a conduta prolongou a angústia e a expectativa de quem aguardava o início do tratamento, ampliando o sofrimento emocional causado pelo crime.

Com o atraso na entrega do medicamento, Yasmin precisou continuar com sessões de quimioterapia. A sentença destaca que, sem a medicação indicada, a evolução da doença é fatal, o que prolongou o sofrimento físico e psicológico da menina entre abril e julho de 2024.

Em depoimento citado no processo, a mãe relatou que, à época, Yasmin, então com 10 anos, já não conseguia andar e precisava de morfina de hora em hora para controlar a dor. A criança também apresentou forte abalo emocional, o que exigiu acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com uso de medicamentos para dormir e conter a ansiedade. Segundo a sentença, esse quadro não foi revertido mesmo após o início da imunoterapia.

“Apesar de a sentença ser importante ao condenar os réus por estelionato, entendemos que ela ainda pode ser reformada para incluir crimes mais graves, diante da dimensão do caso,” afirmou Allan Lincoln, assistente de acusação.

Yasmin está em cuidados paliativos em Cascavel — Foto: Arquivo RPC

Os empresários já haviam sido condenados pelo crime de estelionato. O caso segue repercutindo pelo impacto da fraude na vida e na saúde da criança.

A defesa de Lisandro Henrique Hermes informou que vai recorrer da decisão e sustenta que ele não participou de nenhuma ação criminosa. A defesa de Polion Gomes Reinaux não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

Relembre o caso

Enquanto a Justiça tenta recuperar os valores desviados, o governo do Paraná autorizou uma nova compra emergencial da medicação. Yasmin concluiu a primeira fase do tratamento no fim de 2024, sem resposta significativa.

Em 2025, iniciou a segunda fase, mas ainda não conseguiu concluir o protocolo. A doença avançou e, atualmente, a adolescente está debilitada e com dificuldades para caminhar.

Atualmente, conforme relato da mãe, Yasmin enfrenta dores intensas e precisou ser internada no Hospital do Câncer de Cascavel. Em uma publicação nas redes sociais, ela afirmou: “Hoje conversei com as médicas e infelizmente não tem mais o que fazer por ela, somente controlar a dor.”

Yasmin convive com o neuroblastoma desde 2018, quando tinha cinco anos.

“Ela tinha um tumor no pescoço e no tórax, iniciou o tratamento, graças a Deus foi um sucesso o tratamento dela. Ela entrou em remissão, não tinha mais células cancerígenas e em 2020, infelizmente, ela teve uma recidiva, a doença voltou”, contou a mãe.

Daniele relembra que foi iniciando um novo tratamento de quimioterapia associado ao transplante de medula óssea. Novamente curada, a menina voltou a ter uma vida normal. Mesmo após cirurgias, fisioterapia e transplante de medula, a doença retornou.

Por isso, em 2024, a família buscou na Justiça o custeio de um tratamento com medicamentos importados, avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões.

Após a apresentação de três orçamentos, a empresa Blowout Distribuidora, Importação e Exportação Eireli foi escolhida para fornecer os remédios. No entanto, a empresa subcontratou outra importadora, que não entregou os medicamentos de forma completa.

Na época, a Polícia Civil solicitou o bloqueio das contas das empresas envolvidas. As investigações apontaram que as contas estavam praticamente sem saldo. Segundo a polícia, os responsáveis pelas empresas já tinham antecedentes por crimes de estelionato.

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