Justiça mantém prisão de empresários suspeitos de financiar plano DE para
matar promotor
Audiência de custódia realizada neste sábado (30) não verificou qualquer
irregularidade nas prisões temporárias. Empresários teriam arquitetado plano
para interromper as investigações sobre os crimes cometidos pela facção, como
tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.
Empresários são presos por envolvimento em plano DE para matar promotor em
Campinas [https://s03.video.glbimg.com/x240/13885818.jpg]
Empresários são presos por envolvimento em plano DE para matar promotor em
Campinas
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou neste sábado (30) que foram
mantidas as prisões temporárias dos empresários Maurício Silveira Zambaldi e
José Ricardo Ramos, suspeitos de financiar um plano da facção criminosa Primeiro
Comando da Capital (PCC) para matar o promotor Amauri Silveira Filho
[https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2025/08/29/empresarios-sao-presos-por-envolvimento-em-plano-do-pcc-para-matar-promotor-em-campinas.ghtml],
do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do
Ministério Público de Campinas (SP)
[https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/cidade/campinas/].
De acordo com o TJ, da audiência de custódia “não foi verificada qualquer
irregularidade nas prisões e ambos seguem presos”.
Os suspeitos presos na sexta atuam nos setores de comércio de veículos e
transporte. Um deles foi detido no bairro Cambuí, região central de Campinas, e
o outro no condomínio Alphaville, na mesma cidade.
Um terceiro mandado de prisão foi expedido. Segundo o MP, trata-se de Sérgio
Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, um dos chefes do PCC. Ele está foragido há
anos e pode estar escondido na Bolívia, de onde continuaria comandando
atividades criminosas.
Além das duas prisões, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na
sexta. A operação foi deflagrada pelo Gaeco de Campinas e pelo 1º Batalhão de
Ações Especiais de Polícia (Baep) da metrópole.
Veja abaixo, em perguntas e respostas, tudo o que se sabe e o que ainda falta
esclarecer sobre o caso. Nesta reportagem, você vai conferir:
1. Quem são os envolvidos?
2. Quem é o promotor alvo do plano?
3. Como o plano DE foi descoberto?
4. O que diz o MP?
5. O que diz a defesa?
6. O que falta saber esclarecer?
QUEM SÃO OS ENVOLVIDOS?
De acordo com o MP, três homens são suspeitos de planejar o assassinato do
promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco:
* o empresário Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”, associado
ao PCC e dono da Dragão Motors e preso na operação desta sexta (29);
* José Ricardo Ramos, associado ao PCC e dono da JR Ramos Transportes e preso
na operação desta sexta (29);
* Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Serginho Mijão”, um dos chefes
do PCC, foragido.
Maurício é dono da loja de motos “Dragão Motors”, na Vila Joaquim Inácio, em
Campinas, e tem 2,8 milhões de seguidores no Instagram
* Jose Ricardo Ramos é apontado como associado ao PCC e dono da JR Ramos
Transportes. Ele tem passagem na polícia por homicídio qualificado, receptação e
roubo majorado, sendo que cumpriu pena pelos dois últimos crimes até 2010.
Ele teria sido destacado para, ao menos, acompanhar a rotina do promotor e
identificar os pontos de frequência habitual, para que o plano para matá-lo
fosse executado. Ele também seria o responsável por obter carros blindados e
contratar quem praticaria o crime.
Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, é um dos principais articuladores do
plano. Um dos chefes do PCC, ele está entre os principais operadores do tráfico
de drogas no país, segundo o MP.
Foragido há anos, pode estar escondido na Bolívia, de onde continuaria
comandando atividades criminosas.
QUEM É O PROMOTOR ALVO DO PLANO?
O promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao
Crime Organizado (Gaeco) do MP de Campinas, conduziu investigações sobre
esquemas de corrupção e contratos públicos envolvidos com tráfico de drogas.
COMO O PLANO DE FOI DESCOBERTO?
O promotor de Justiça Marcos Rioli, que atuou na operação desta sexta, informou
que o plano foi descoberto na quarta-feira (27).
Os empresários teriam arquitetado o plano de assassinato para interromper
investigações sobre os crimes cometidos pela facção, como tráfico de drogas,
lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.
O mesmo plano também tinha como objetivo assassinar o comandante de uma polícia
de São Paulo, que não teve o nome e a função exata divulgados.
Segundo o MP, Maurício foi um dos principais alvos investigados em operação que
apura os crimes cometidos pela facção, realizada em fevereiro de 2025, e queria
matar o promotor para ‘recuperar prestígio’ no crime.
O empresário teria sofrido prejuízos financeiros e desmoralização no meio
criminoso após uma operação de busca e apreensão em seus imóveis, feita pelo
Ministério Público no dia 18 de fevereiro de 2025. No entanto, Maurício teria
decidido matar o promotor do MP como forma de recuperar prestígio.
Para isso, o grupo teria designado José Ricardo para organizar o atentado.
José Ricardo tem passagem na polícia por homicídio qualificado, receptação e
roubo majorado, sendo que cumpriu pena pelos dois últimos crimes até 2010.
O QUE DIZ O MP?
O órgão aponta que o plano teria sido articulado pelo empresário Maurício
Silveira Zambaldi, preso em Campinas na manhã desta sexta-feira (29), para
recuperar o “prestígio” no meio criminoso depois de ser investigado por
associação ao PCC.
O mesmo plano tinha como objetivo assassinar o comandante de uma polícia de São
Paulo, que não teve o nome e a função exata divulgados.
Além das duas prisões, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na
sexta-feira. A operação foi deflagrada pelo Gaeco de Campinas e pelo 1º
Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) da metrópole.
O QUE DIZ A DEFESA?
A defesa técnica de Maurício Silveira Zambaldi e I. J. F. F. informou que não
obteve acesso aos autos da investigação e destacou que os investigados negam
qualquer participação em plano que atente contra a integridade física de
autoridades.
Já o advogado Pedro Said, que representa José Ricardo Ramos, destacou que
acredita na inocência do empresário, disse que ele “jamais aceitaria participar
de um plano dessa natureza” e afirma que “provará a inocência dele na Justiça”.
O QUE FALTA ESCLARECER?
As investigações continuam para localizar o articulador e outros suspeitos,
entre eles “Mijão”, um dos líderes do PCC, que está foragido há anos. Segundo as
investigações, ele pode estar escondido na Bolívia.
O promotor pontuou que o trabalho agora visa saber se os fatos já apurados até a
prisão dos suspeitos são confirmados.
Entre eles, as notícias colhidas de acompanhamento e vigilância que os suspeitos
teriam elaborado sobre o promotor.
Além disso, Amauri espera identificar se há algum outro motivo que tenha levado
ao plano de atentado, além de atrapalhar ou interromper as investigações em
curso.
“A informação que chegou ao nosso conhecimento, a forma como ela chegou, é que o
objetivo desse atentado, dessa emboscada, seria, como já aconteceu no passado
outras vezes, tumultuar a apuração dos fatos, desviar os olhares do Ministério
Público, ou pelo menos, atrasar a investigação em andamento. E, na verdade, isso
acaba efetivamente acontecendo, porque a gente teve que parar o trabalho que a
gente estava fazendo, para executar o que a gente está fazendo hoje (prender os
suspeitos)”, completou.