Em clima de carnaval, foliões com tatuagens em homenagem ao Homem da Meia-Noite se encontram em Olinda.
O Projeto ‘Paixão à Flor da Pele’ destaca histórias de foliões que carregam o calunga no corpo e na memória. O evento aconteceu na tarde do sábado (10).
Os foliões declaram seu amor ao Homem da Meia-Noite com tatuagens em homenagem ao calunga.
Um encontro de foliões, só que, ao invés de orquestra de frevo, tatuagens em homenagem ao Homem da Meia-Noite. A segunda edição do evento “Paixão à Flor da Pele” reuniu, em Olinda, no Grande Recife, apaixonados pelo calunga que decidiram eternizar na pele o amor por um dos símbolos mais famosos e representativos do carnaval pernambucano (veja vídeo acima).
Os foliões se reuniram no sábado (10) no espaço afetivo dedicado ao calunga dentro do Shopping Patteo, no bairro de Casa Caiada. Todo carnaval, o Homem da Meia-Noite desfila pontualmente à meia-noite do Sábado de Zé Pereira, simbolizando a tradição e o encantamento da festa de Momo.
Entre os tatuados presentes, estava a olindense Flaviane de Lima Costa, moradora do Largo do Amparo, no Sítio Histórico. Filha de uma bordadeira de estandarte e de um bonequeiro que carrega gigantes no carnaval, ela fez a tatuagem há três anos, por causa de um “namoro simbólico” com o calunga após o fim de um relacionamento.
Neste carnaval, além de foliã, Flaviane vai viver a experiência de desfilar pela primeira vez como passista do balé Cia. Brasil por Dança, que acompanha o cortejo do Homem da Meia-Noite.
O rosto do calunga também está tatuado no braço do folião João Ronaldo de Souza Junior, outro morador de Olinda. Ao lado de vários símbolos do carnaval, como o Galo da Madrugada e o caboclo de lança, e o cantor Chico Science, a imagem representa uma paixão cultivada há gerações na família.
Lígia Constantino também carrega um amor antigo pelo Homem da Meia-Noite. Ela lembrou que viu o calunga pela primeira vez em 1978. A tatuagem foi feita pela filha, Liliane Arruda, quando decidiu seguir a profissão de tatuadora e fez os primeiros traços há 16 anos.
Em 2026, o Homem da Meia-Noite vai desfilar com o tema “Tambores Silenciosos”, em homenagem à ancestralidade afro-brasileira e à força dos maracatus, celebrando nomes como Mãe Beth de Oxum, Siba, Maciel Salú, o Grupo Bongar e o Maracatu Nação Pernambuco, Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O cortejo acontece à meia-noite, entre os dias 14 e 15 de fevereiro, no Largo do Bonsucesso.
Adolpho Alves, presidente do Homem da Meia-Noite, ressalta o crescimento do evento “Paixão à Flor da Pele”, entre a primeira e a segunda edição, e destaca a força do bloco para além do carnaval.
O encontro abre espaço para combater o preconceito sofrido por pessoas tatuadas. Adolpho lembra a própria resistência quando o filho decidiu fazer uma tatuagem, motivada pelo julgamento social.
Para o presidente do Homem da Meia-Noite, valorizar as histórias por trás das tatuagens faz parte do papel do calunga. “Você começa a entender que tatuagem é memória, é afetividade, é ancestralidade, é sentimento, é o que a pessoa quer expressar. Algumas guardam no coração, outras expressam na pele. Essa paixão precisa ser valorizada, e é isso que o Homem da Meia-Noite está fazendo, levantando essa bandeira”.




