A endemia do inseto maruim tem causado transtornos em moradores de Ilhota, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A prefeitura informou que “está adotando medidas para o enfrentamento” dessa situação preocupante. O maruim, um pequeno mosquito de até três milímetros, tem sua presença intensificada em locais onde há muita matéria orgânica em decomposição, como mangues, brejos e pântanos.
Os detalhes do inseto maruim
O maruim, de nome científico Culicoides paraensis, é cerca de 12 vezes menor do que o mosquito transmissor da dengue e 20 vezes menor do que o Culex quinquefasciatus, o pernilongo mais comum no país. Essa pequena criatura pode causar irritação e coceira na pele das pessoas que sofrem com picadas. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a fêmea do maruim coloca seus ovos em locais úmidos e ricos em matéria orgânica, o que contribui para sua proliferação.
Em 2024, quando a cidade vizinha Luiz Alves também enfrentava uma infestação de maruim, o professor de ecologia e zoologia Luiz Carlos de Pinha, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), alertou sobre os riscos dessa situação. Ele explicou que a picada do inseto pode causar irritação na pele e há ainda o risco de transmissão de doenças, como a Febre do Oropouche.
Os efeitos das picadas do maruim
As picadas do maruim podem ser maléficas de diversas formas, sendo que a ardência incômoda na pele é o efeito mais comum relatado pelos afetados. Quando há uma grande população de maruins e uma alta frequência de picadas, também aumenta o risco de transmissão de patógenos. Esse pequeno inseto está envolvido na transmissão de parasitas e pode afetar animais domésticos da pecuária, como bovinos e equinos.
Nas pessoas, o maruim pode transmitir a Febre do Oropouche, que apresenta sintomas semelhantes aos da dengue e da chikungunya, incluindo dor de cabeça, muscular, nas articulações, náusea e diarreia. É importante ressaltar que não há um tratamento específico para essa febre e, portanto, recomenda-se repouso, tratamento sintomático e acompanhamento médico.
A situação em Ilhota e Luiz Alves
A prefeitura de Ilhota informou que está em processo de contratação de empresa especializada para lidar com o controle do maruim na região. De acordo com as autoridades locais, fatores climáticos têm contribuído para o aumento da proliferação do inseto. A presença de água associada à matéria orgânica cria condições ideais para o desenvolvimento do maruim, e a atividade agrícola local também favorece a reprodução desse inseto.
O município de Luiz Alves, que também lidou com uma infestação de maruim em 2024, se tornou uma referência regional no enfrentamento desse problema. A cidade adotou medidas preventivas e de controle, o que pode servir de exemplo para outras localidades afetadas pela presença do mosquito.
Diante da situação preocupante causada pela endemia do inseto maruim, é fundamental que as autoridades locais e a população em geral estejam alertas e adotem as medidas necessárias para minimizar os impactos dessa questão de saúde pública. O controle ambiental e a conscientização da população são pilares fundamentais para lidar com a proliferação do maruim e prevenir a transmissão de doenças.


