Enredo da Portela ‘propõe grande romaria’ para mostrar como Milton Nascimento ‘toca e transforma vidas’, dizem carnavalescos
Antônio Gonzaga e André Rodrigues fazem uma grande procissão pelo Brasil afora em homenagem ao artista. Série do DE resume, nas palavras dos próprios autores do carnaval das escolas do Grupo Especial, o que será levado para a Sapucaí.
DE no carnaval 2025: conheça o enredo da Portela
“A gente não vai se preocupar em narrar a biograficamente a história do Milton, mas a forma que o Milton toca e transforma a vida das pessoas.”
Na homenagem ao cantor e compositor Milton Nascimento, a Portela vai percorrer diversas regiões do Brasil, atraindo diferentes perfis de brasileiros que se unem à procissão, segundo disseram os carnavalescos Antônio Gonzaga e André Rodrigues ao DE, para a série em que os carnavalescos resumem os enredos de suas escolas (veja no vídeo acima).
A azul e branco de Osvaldo Cruz reverencia pela primeira vez uma personalidade em vida, com o enredo “Cantar será buscar o caminho que vai dar no sol – Uma homenagem a Milton Nascimento”.
“O enredo da Portela propõe uma grande romaria, que sai de Madureira até Três Pontas. E ela vai cruzando diferentes partes do Brasil e vão se somando nessa procissão diferentes tipos de brasileiros. Vão os ribeirinhos, vão os povos originários, vão os povos quilombolas, pra chegarmos nesse grande altar do sol em Minas Gerais”, explica Antônio Gonzaga.
Milton, apelidado de Bituca ainda na infância, nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado em Três Pontas (MG).
“Nossa intenção é investigar, de alguma maneira, como é que essas músicas transformam as vidas das pessoas, como esses sentimentos são aflorados a partir dessa musicalidade do gênio Milton Nascimento”, disse André Rodrigues.
Enredo e samba: Milton Cunha visita a Portela no primeiro episódio da temporada 2025
CONFIRA O SAMBA-ENREDO
Manhã, Alvorada das nossas lembranças Peito aberto, carrego esperança Do altar de São Sebastião Estou onde a mãe do ouro me afaga E fiel abraçado à Águia Vou partir em procissão Na fé, que faz do artista entidade E sagrada as amizades Ardem vozes, mil tambores Nas mãos, girassóis na travessia Minh’alma em cantoria Vem a tarde, vão-se as dores
Nessa estrada, é sonho, é poeira Passa o trem azul, sigo em paz Feito Rio… só me leva Pra Deus filho de Maria Tantos mares em um cais
E as raízes se juntaram Na esquina uniram a nação Venceram as lutas que travavam Pra ver Zumbi no céu da canção Noite apaga o arrebol Num milagre ser farol E continuar…
Quem acredita na vida Não deixa de amar
Dorme a maldade após o temporal Na bandeira a liberdade, vem Bituca triunfal Cheguei com meu povo, mesmo sentimento Onde Candeia é chama Brilha Milton Nascimento
lyá chamou Oxalá preto rei pra sambar lyá chamou Oxalá preto rei pra sambar Anjo negro é o Sol que faz a Portela cantar Anjo negro é o Sol na minha Portela
Milton Nascimento no ensaio técnico da Portela na noite de sábado (22) — Foto: Anderson Bordê/ AgNews