Entenda a tragédia: quem foi Alex Pretti, vítima do governo Trump

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Saiba quem foi Alex Pretti, enfermeiro assassinado pelo governo Trump

A identidade profissional de Pretti, como enfermeiro de UTI em um hospital de
veteranos, deu ainda mais peso à revolta de parte da população local

SAIBA QUEM FOI ALEX PRETTI, ENFERMEIRO ASSASSINADO PELO GOVERNO TRUMP

A IDENTIDADE PROFISSIONAL DE PRETTI, COMO ENFERMEIRO DE UTI EM UM HOSPITAL DE
VETERANOS, DEU AINDA MAIS PESO À REVOLTA DE PARTE DA POPULAÇÃO LOCAL

25 de janeiro de 2026, 04:52 h

Alex Pretti (Foto: Reprodução redes sociais) Apoie o 247 Siga-nos no Google News

247 – A morte a tiros do enfermeiro Alex Jeffrey Pretti, 37, em Minneapolis
(Minnesota), no sábado, 24 de janeiro de 2026, incendiou ainda mais os protestos
contra o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas) e aprofundou a crise
política em torno da política migratória do presidente Donald Trump, atual
presidente dos Estados Unidos. Em vigílias e manifestações, a indignação se
ampliou porque vídeos e relatos públicos passaram a confrontar, ponto a ponto, a
versão oficial do governo federal sobre o que ocorreu durante a operação.

Segundo reportagem da teleSUR, Pretti era cidadão norte-americano e trabalhava
como enfermeiro de terapia intensiva em um hospital de veteranos de Minneapolis.
Nascido no estado de Illinois, ele estudou Enfermagem na Universidade de
Minnesota e concluiu o curso em 2021. A publicação relata que, no mesmo dia do
assassinato, moradores se reuniram em vigília no Whittier Park, a poucas quadras
do local do tiroteio.

A morte ocorreu em um contexto de protestos massivos contra ações violentas do
ICE, intensificados dias após outro episódio que gerou comoção: o assassinato de
Renee Nicole Good, em 7 de janeiro, quando agentes federais a mataram a tiros
dentro do carro durante um operativo. A sequência de casos aumentou o repúdio
popular e transformou Minneapolis em um dos principais centros de contestação às
operações migratórias do governo Trump.

QUEM ERA ALEX PRETTI

Familiares afirmaram que Pretti era um amante da natureza e vinha participando
das mobilizações que explodiram na cidade após a morte de Renee Good. Seu pai,
Michael Pretti, afirmou que ele estava indignado com o que considerava abusos
cometidos pelo ICE. Em entrevista citada pela teleSUR, ele declarou: “Se
preocupava profundamente com as pessoas e estava muito indignado com o que
estava acontecendo em Minneapolis e em todo os Estados Unidos com o ICE, como
milhões de pessoas que estão indignadas”. Em seguida, completou: “Sentia que
protestar era uma forma de expressar sua preocupação pelos demais”.

A identidade profissional de Pretti, como enfermeiro de UTI em um hospital de
veteranos, deu ainda mais peso à revolta de parte da população local. Em vez de
um suspeito armado, como sugeriu a narrativa federal, seus apoiadores o
descreveram como alguém ligado ao cuidado de pacientes e comprometido com causas
sociais.

A VERSÃO OFICIAL: “TIROS DEFENSIVOS”

Após a morte de Pretti, o governo federal apresentou uma justificativa
semelhante à utilizada em episódios anteriores. A porta-voz do Departamento de
Segurança Nacional, Tricia McLaughlin, disse em comunicado que os agentes
federais realizavam uma operação migratória e dispararam “tiros defensivos”
depois que um homem com uma pistola teria se aproximado e “resistido
violentamente” quando os agentes tentaram desarmá-lo.

A teleSUR ressalta que essa justificativa passou a ser imediatamente contestada
por denúncias públicas e pelo conteúdo de vídeos divulgados nas redes.

VÍDEOS MOSTRAM UM CELULAR, NÃO UMA ARMA

A principal contradição que ampliou a indignação social envolve o que aparece
nas gravações. Segundo a teleSUR, imagens divulgadas na internet mostram mais de
meia dúzia de agentes de imigração imobilizando Pretti e utilizando spray de
pimenta antes de dispararem à queima-roupa. Em um dos vídeos, ele aparece
segurando um telefone, e não uma arma, apontando-o na direção de um dos agentes.

O material audiovisual também indicaria agressões físicas antes dos disparos,
com Pretti cercado e contido por vários agentes. A reportagem descreve que, em
determinado momento, um dos agentes estaria sobre as costas de Pretti enquanto
outro o golpeia repetidamente perto da cabeça. Em seguida, um tiro é ouvido, e
logo depois ocorre uma sequência de disparos.

Um levantamento mencionado no texto aponta que foram efetuados pelo menos 10
tiros em cerca de cinco segundos, o que reforçou a percepção, entre
manifestantes e críticos das operações do ICE, de que não se tratou de
contenção, mas de uma execução violenta em plena via pública.

A REAÇÃO DA POLÍCIA LOCAL E O CLIMA DE REVOLTA NAS RUAS

Após o tiroteio, o chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, afirmou que o
homem baleado era um cidadão branco sem antecedentes criminais graves, com
registro apenas de algumas multas de estacionamento.

Nas ruas, o ambiente foi descrito como explosivo. Segundo a teleSUR, uma
multidão furiosa se aglomerou e passou a gritar insultos contra os agentes
federais, chamando-os de “covardes” e exigindo que fosse embora. Em meio ao
confronto, manifestantes arrastaram contêineres de lixo para bloquear vias e
entoaram palavras de ordem, como “Fora ICE agora”.

A reportagem também relata que agentes federais utilizaram bastões e lançaram
granadas de efeito moral contra manifestantes, evidenciando uma escalada
repressiva que, para parte da sociedade local, tornou-se símbolo de uma política
de intimidação e medo.

MINNESOTA EXIGE INVESTIGAÇÃO INDEPENDENTE E DESCONFIA DO GOVERNO FEDERAL

Com a pressão aumentando, o governador democrata de Minnesota, Mike Walz,
ordenou o deslocamento da Guarda Nacional estadual para “garantir a segurança”
em Minneapolis. De acordo com o relato, a cidade teria recebido um contingente
de agentes federais muito superior ao efetivo da própria polícia local, por
determinação do governo Trump.

Walz afirmou que esteve em contato com a Casa Branca e pediu que os agentes
federais fossem retirados do estado. Ele também disse que Minnesota conduzirá a
apuração do caso e deixou claro que não confia no governo federal para liderar a
investigação. Em declaração citada pela teleSUR, Walz afirmou: “O estado deve
ter a última palavra, como eu disse à Casa Branca sem rodeios esta manhã: não se
pode confiar que o Governo federal lidere esta investigação, o estado se
encarregará disso, ponto”.

Ele também criticou a tentativa de moldar a narrativa antes de qualquer apuração
completa. “Antes de que se realize qualquer investigação, as pessoas mais
poderosas do Governo federal estão inventando histórias e publicando fotos de
pessoas sem relação com o caso (…) e uma foto de uma arma de fogo para tentar
manipular a narrativa”, disse o governador, em referência ao que descreveu como
uma disputa de versões.

Walz ainda publicou uma mensagem exigindo o fim da presença federal em massa:
“Tirem os milhares de agentes violentos e sem treinamento de Minnesota. Agora”.

UM NOVO SÍMBOLO DO AUTORITARISMO DO GOVERNO TRUMP

O assassinato de Alex Pretti se tornou rapidamente um marco da crise política em
torno do ICE e das ações do governo Trump. A combinação entre operações
migratórias militarizadas, denúncias de violações de direitos humanos, uso de
força letal e tentativa de controlar a versão dos fatos elevou o caso a um
patamar nacional.

A morte de um cidadão norte-americano, enfermeiro, sem histórico criminal grave,
em meio a protestos que já denunciavam abusos federais, aprofunda o desgaste do
governo Trump e reforça o sentimento, nas ruas de Minneapolis, de que a política
migratória deixou de ser apenas uma disputa administrativa: tornou-se uma
engrenagem de repressão, violência e intimidação social em larga escala.

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