Entenda o fenômeno do cavado que provocou chuvas recordes em Juiz de Fora

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As intensas chuvas que atingiram Juiz de Fora, em Minas Gerais, e causaram pelo menos 18 mortes na cidade foram resultado do excesso de umidade e calor, comum no verão, e impulsionadas por um fenômeno climático conhecido como ‘cavado’. Meteorologistas explicam que, embora a pior parte das chuvas tenha passado, ainda há previsão de mais precipitações ao longo da semana na região de Minas e no Sudeste. Além das mortes em Juiz de Fora, foram registradas sete mortes em Ubá, totalizando 25 óbitos na região.
De acordo com a Defesa Civil municipal, este mês já se tornou o fevereiro mais chuvoso da história de Juiz de Fora, com 579,3 milímetros de chuva registrados até a manhã de segunda-feira, 270% acima do previsto. O recorde anterior remontava a 1988, com acumulado de 456 milímetros. O atendimento da Defesa Civil também bateu recorde, totalizando 432 atendimentos, comparado a 352 em 1988.
Os meteorologistas ressaltam que, embora não seja um fenômeno atípico para a estação, o registro histórico reflete a crescente ocorrência de extremos climáticos em todo o mundo. O ‘cavado’ é uma região alongada de baixa pressão que favorece a formação de nuvens e tempestades devido à subida do ar. Em Minas, este fenômeno desempenhou um papel crucial na alta incidência de chuvas mesmo sem a presença de uma frente fria.
Wanderson Luiz Silva, meteorologista da UFRJ, destaca que a mudança climática tem intensificado esses episódios de tempo severo. A combinação entre o ‘cavado’, a Alta da Bolívia e o Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul contribuíram para as chuvas intensas. A chegada de uma frente fria nos próximos dias indica a continuidade das precipitações na região de Juiz de Fora e demais localidades do Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Andrea Ramos, da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, ressalta que a influência do corredor de umidade da Amazônia reforçará as chuvas nessas regiões ao longo da semana. O Inmet emitiu um aviso de ‘Grande Perigo’ para cidades do Sudeste, Sul e Nordeste devido ao acumulado de chuva. Diante disso, a recomendação é manter-se informado e seguir as orientações da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros em caso de emergências.

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