Por volta das 9h30 a pintura já tinha sido completamente apagada e o muro já ostentava um tom cinza. Mais cedo o prefeito Eduardo Paes havia postado numa rede social a retirada da homenagem. ‘Aqui no Rio não vai ter homenagem a bandido traficante!’ escreveu.
O mural fica em frente à Escadaria Selaron, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. Na manhã desta quarta-feira, a movimentação de turistas nacionais e estrangeiros é normal no local. Parte do comércio ainda está fechada, por conta do horário e as bancas de camelôs praticamente desapareceram.
Um dos lugares mais visitados por turistas e conhecida pela noite boêmia mais pulsante da cidade, a Lapa sucumbiu ao tráfico de drogas. Bandidos transformaram casarões históricos em bocas de fumo e cobram taxas de feirantes e ambulantes que montam suas barracas ao redor da Escadaria Selarón, um dos cartões-postais mais clicados por visitantes.
No começo da manhã, equipes da prefeitura começaram um trabalho para apagar o mural que homenageava Pablo Carlos Rodrigues Quintanilha. Morto em 2019, era filho de Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, um dos chefes do Comando Vermelho.
‘É um absurdo que um lugar como esse, que atrai tantos turistas de várias partes do Brasil e do mundo todo tenha essa presença forte do tráfico. É um desgoverno’, criticou Isolda Maria de Jesus, de 55 anos, moradora em Bom Jesus do Itabapoana, que visitava o Rio pela primeira vez.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a ONU durante discurso na FAO, afirmando que a organização perde credibilidade ao não conseguir mediar conflitos como os de Gaza e Ucrânia. ‘Compensa destruir Gaza, matar mulheres e crianças, para depois criar um conselho dizendo que vai reconstruir?’, questionou o mandatário brasileiro.
O comércio formal vizinho à escadaria funciona normalmente. O único ponto que destoa é a ausência dos ambulantes, que ocupavam praticamente toda a calçada da Rua Joaquim Silva e a da Rua Teotônio Regadas, além dos primeiros degraus da escadaria.
A venda indiscriminada, principalmente de crack, atrai uma massa de dependentes químicos, que circula à deriva pelo bairro e dorme sob marquises e os Arcos. Nesta terça-feira, uma operação prendeu 17 suspeitos e revelou como o Comando Vermelho se instalou na região.
Os mais diferentes idiomas eram ouvidos, num passeio pela escadaria. Os estrangeiros eram maioria no local, nesta manhã. Muitos deles não fazia a menor ideia de que na véspera a escadaria, assim como toda a região da Lapa, havia sido alvo de uma operação policial de combate ao tráfico de drogas.



