Um levantamento inédito. Em Vitória (ES) — A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) divulgou nesta sexta-feira (3) os nomes e fotos dos quatro criminosos mais procurados da Região Noroeste do Espírito Santo, em um esforço para ampliar as buscas e colher informações que possam levar à captura dos foragidos envolvidos em crimes graves como homicídio qualificado e fuga do sistema prisional.
A lista revela a preocupação das autoridades com o aumento da criminalidade e reforça o apelo público para que cidadãos colaborem denunciando, de forma anônima, qualquer pista sobre o paradeiro de Itamar Pereira da Silva, Robson Fernando Cozer Junior, Daniel Vieira Silva e Fernando Dias Lobo. Conforme a Sesp, a estratégia de divulgação já havia surtido resultado anteriormente na Região Serrana, quando cinco foragidos foram localizados e detidos em apenas 11 dias após ação semelhante.
O Espírito Santo registra um histórico preocupante de enfrentamento ao crime organizado, principalmente em municípios do interior, onde conflitos interpessoais têm escalado para casos trágicos de violência letal. Segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado, a incidência de mandados de prisão em aberto aumenta a sensação de insegurança nas cidades de menor porte, ampliando a pressão sobre as forças policiais locais.
Quem são os criminosos mais procurados de Vitória e por que causam tanta preocupação?
Entre os nomes divulgados pela Sesp, destaca-se o caso de Itamar Pereira da Silva, com mandado de prisão preventiva expedido pela Vara única de Montanha (ES), após homicídio qualificado ocorrido em abril de 2024. De acordo com a investigação policial, Itamar reagiu de forma extrema ao ser perturbado pelo barulho de fogos de artifício durante uma festa familiar próxima à sua residência. Ele teria se dirigido à casa da vítima, armado, iniciado uma discussão e efetuado disparos de arma de fogo, perseguindo o jovem para dentro da casa e, em seguida, o golpeando com uma faca antes de fugir da cena do crime.
A apuração indica que, após o crime, Itamar fugiu junto ao filho, primeiro em direção a Nanuque (MG) e posteriormente para regiões da Bahia, onde teriam familiares. Até o momento, apesar dos esforços integrados das polícias mineira, baiana e capixaba, não houve relatos de prisões. Especialistas em segurança pública apontam que o deslocamento interestadual dificulta as ações conjuntas de inteligência, especialmente em áreas de fronteira entre os estados.
Outro nome que preocupa é o de Robson Fernando Cozer Junior, considerado de alta periculosidade após protagonizar uma fuga do sistema prisional capixaba. Ele tem mandado de recaptura expedido pela Vara Única de Mantenópolis (ES) desde março deste ano, após ter se envolvido em um homicídio ocorrido em junho de 2018. Na ocasião, Robson foi agredido em um bar e, após a discussão, buscou uma arma de fogo e perseguiu o agressor, disparando três tiros e tirando-lhe a vida diante de testemunhas, antes de desaparecer.
Qual foi a motivação por trás dos crimes na Região Noroeste do Espírito Santo?
De acordo com apurações da Polícia Civil, os crimes associados aos foragidos da lista divulgada pela Sesp retratam uma escalada de conflitos pessoais e familiares que desembocam em violência. O caso de Itamar, que se incomodou com fogos de artifício durante uma comemoração de família, é exemplo de como questões aparentemente banais podem resultar em agressões extremas e fatais, segundo o delegado responsável pelo caso em Montanha.
No caso de Robson, os registros mostram que a motivação teria sido uma reação impulsiva a uma provocação sofrida em via pública — conduta que evidencia a dificuldade de diálogo ou resolução de desentendimentos sem recorrer à violência, como analisado por psicólogos especializados em comportamento criminal consultados pelo Diário do Estado.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia uma preocupação crescente com a disseminação de armas e a facilidade com que desavenças se transformam em tragédias no interior do Espírito Santo. Segundo dados públicos reunidos pela Secretaria de Segurança, as cidades médias e pequenas do estado têm apresentado surtos de violência correlacionados ao acesso ilícito a armas de fogo e dificuldades de mediar conflitos sem escalonamento para o uso de força letal.
Como as autoridades de Vitória e do estado orientam as denúncias e o que já foi feito?
O repertório de ações das autoridades para encontrar os criminosos inclui, além da divulgação maciça de fotos e identidades, campanhas de esclarecimento sobre a importância do Disque-Denúncia 181, que funciona 24 horas por dia, permitindo denúncias totalmente anônimas sobre qualquer movimentação suspeita relacionada aos foragidos. A Sesp também reforça a utilização do site oficial Disque-Denúncia, onde cidadãos podem fornecer relatos detalhados, imagens e até vídeos que ajudem a compor as frentes de investigação.
Outra alternativa oferecida pelas autoridades é o canal via WhatsApp, onde as pessoas podem enviar mensagens escritas, áudios, fotos ou vídeos que possam colaborar na localização dos suspeitos. Este recurso tem ganhado força em regiões rurais e periféricas do Espírito Santo, onde o anonimato é visto como fundamental para a segurança dos denunciantes e para a eficácia das operações, conforme destacou o coordenador do Disque-Denúncia estadual em entrevista exclusiva à nossa redação.
Conforme dados do Ministério da Justiça, a colaboração da sociedade civil tem sido decisiva na resolução de casos de foragidos em todo o Brasil. No Espírito Santo, a postura de maior transparência e engajamento reduziu a taxa de impunidade em crimes graves, principalmente em regiões que antes careciam de apoio tecnológico e canais diretos com as polícias.
Por que a divulgação dessa lista pela Sesp impacta a rotina e a sensação de segurança no Espírito Santo?
Segundo a Sesp, o objetivo principal ao tornar públicas as imagens e os dados dos criminosos mais procurados é romper o ciclo de proteção silenciosa que muitas vezes impede o avanço das investigações em cidades menores ou localidades onde a população teme represálias. O contexto regional do Espírito Santo, com histórico recente de confrontos violentos ligados a vinganças e disputas pessoais, faz com que cada nova onda de divulgação de procurados seja recebida com atenção e certo receio por parte dos moradores, notadamente os de Montanha, Mantenópolis, Barra de São Francisco e Nova Venécia.
A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que, desde a divulgação de campanhas semelhantes, cresceu em cerca de 37% o número de denúncias acerca de pessoas com pendências judiciais foragidas na Grande Vitória e no interior, até mesmo em regiões limítrofes com os estados de Minas Gerais e Bahia. Esse dado foi confirmado em relatório técnico elaborado para a Assembleia Legislativa do Espírito Santo, que destaca a efetividade das parcerias interestaduais na localização de criminosos que buscam se esconder fora do território capixaba.
É importante ressaltar que não é a primeira vez que a Sesp adota estratégias de mobilização pública com foco em cidades do interior. Em junho, por exemplo, a lista de procurados da Região Serrana levou à prisão de cinco dos 34 foragidos divulgados em apenas 11 dias, um recorde local para operações desse perfil, conforme registros históricos disponíveis na tag de polícia do Diário do Estado.
O que dizem especialistas e como as famílias estão reagindo aos crimes em Vitória e região?
Especialistas em direito penal e em políticas públicas de segurança, ouvidos pela reportagem, sublinham a importância de uma interlocução contínua entre polícias e comunidades locais, para fortalecer a cultura de denúncia e romper barreiras culturais que ainda dificultam o avanço das investigações em cidades interioranas. Para o defensor público do Espírito Santo, “ações como essa da Sesp têm um impacto direto não só na redução da liberdade dos foragidos, mas na reconstrução do sentimento coletivo de justiça”, afirmou.
Enquanto isso, familiares das vítimas e moradores das cidades afetadas demonstram apreensão e cobram respostas contundentes das autoridades. Manifestações recentes em frente à delegacia da sede de Montanha mostram que a insegurança ainda paira sobre bairros onde sequer crimes de homicídio eram frequentes há poucos anos. A tensão também se faz notar em Mantenópolis e Nanuque, cidades envolvidas diretamente com as rotas de fuga investigadas após os últimos casos recentes.
Muitas dessas localidades, aponta levantamento da DE, registravam baixos índices de criminalidade antes da última década, mas passaram a figurar em mapas estaduais de criminalidade devido à migração de suspeitos para as cidades vizinhas e ao uso de estradas secundárias para evasão.
A equipe do Diário do Estado segue acompanhando cada nova informação repassada ao Disque-Denúncia e mantém contato direto com autoridades, delegados e familiares das vítimas, garantindo uma cobertura precisa e atualizada sobre a caçada aos foragidos que desafiam a rotina e o sentimento de justiça em todo o Espírito Santo.





