SALTO (SP) — Apenas 11 dias depois que o último episódio de espuma branca e tóxica se dissipou, o Rio Tietê voltou a amanhecer coberto por uma densa camada do produto químico nesta terça-feira (9), em Salto, no interior de SÃO PAULO. Imagens aéreas capturadas na região do Parque de Lavras mostram a extensão do fenômeno, que voltou a levantar alerta entre as autoridades locais. A última vez que o rio havia ficado completamente tomado pela espuma foi em 13 de maio, quando a substância permaneceu na água por mais de duas semanas, até o dia 29 daquele mês.
Apesar de a paisagem inusitada atrair a atenção de turistas no Complexo da Cachoeira, a Defesa Civil e a prefeitura municipal emitiram um alerta sobre a toxicidade da espuma. A recomendação oficial é que as pessoas, especialmente crianças, não se aproximem do local, pois o contato com a pele e os olhos pode causar irritações. O fenômeno é um problema crônico em Salto, reflexo direto da poluição que desce da Região Metropolitana de São Paulo.
Causas do fenômeno recorrente e os riscos à saúde
De acordo com informações oficiais divulgadas à imprensa, a formação da espuma resulta da combinação de três fatores principais. O primeiro é a poluição: o esgoto doméstico e industrial não tratado, que vem da Grande São Paulo, carrega altas concentrações de fósforo e resíduos de detergentes. O segundo fator é a falta de chuvas recentes na região, que reduz a vazão do rio e aumenta a concentração dos poluentes na água. Por fim, as quedas d’água naturais em Salto, ao agitar os compostos químicos, funcionam como um “liquidificador”, gerando a espuma que cobre a paisagem.
As autoridades sanitárias reforçam que, em nenhuma hipótese, a espuma deve ser tocada ou ingerida. Crianças e animais de estimação são os mais vulneráveis, e a orientação é evitar qualquer contato direto com o material. Em episódios anteriores, a prefeitura chegou a interditar trechos do parque para impedir o acesso ao rio.
Contraste com as cheias de fevereiro
A situação atual contrasta fortemente com o cenário registrado em fevereiro deste ano, quando o Rio Tietê em Salto apresentou um grande volume de água. Na ocasião, fortes chuvas elevaram a vazão do rio para 520 metros cúbicos por segundo (m³/s) — bem acima da média de 200 a 300 m³/s registrada em dias normais. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), embora tenham caído 54,6 milímetros de chuva em Salto em apenas dois dias naquele mês, o volume local não seria suficiente para causar a cheia sozinho. A situação extrema foi resultado, principalmente, da grande quantidade de água vinda da região metropolitana de São Paulo, que desceu pelo curso do rio e atingiu com força as cidades do interior.
A repetição do fenômeno em menos de duas semanas acende um alerta sobre a gravidade do problema de poluição no Tietê. Enquanto as causas estruturais não forem resolvidas, moradores e visitantes de Salto continuarão a conviver com o risco de novos episódios de espuma tóxica — um problema que, além de afetar o ecossistema local, representa uma ameaça direta à saúde pública.


